domingo, 26 de junho de 2022

Os riscos do Treinamento Físico Militar - II

 

Os riscos do Treinamento Físico Militar - II

Artigo de André Soares - 26/06/2022

 “Os riscos do Treinamento Físico Militar”

 

Fábio Henrique Silva  Ingrid Balbino de Sousa Coelho Vieira
  A dentista Ingrid Balbino de Sousa Coelho Vieira concorria a uma vaga para Odontologia - Ortodontia - Reprodução/Instagram
 
 

Há nove anos, o Jornal do Brasil publicou meu artigo “Os riscos do Treinamento Físico Militar” (22/05/2013), o qual teve enorme repercussão nacional, notadamente no âmbito das forças militares brasileiras, constituídas pelas Forças Armadas (Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira), polícias militares e corpo de bombeiros estaduais. Isso porque, neste artigo, demonstro fisiológica e cientificamente que, caso houvesse no Brasil investigações sérias e estatísticas fidedignas sobre a miríade de mortes de militares, que vem ocorrendo há décadas nas instituições militares nacionais, durante a prática de suas atividades físicas; constatar-se-ia que não foram fatalidades, como sempre alegado oficialmente. Portanto, todos esses óbitos poderiam e deveriam ter sido evitados por essas instituições.

A extrema gravidade dessas revelações sobre a verdadeira “causa mortis” desse incontável contingente de militares no país, revelaram também as inescapáveis consequências de responsabilização jurídica, civil e criminal, dessas respectivas instituições militares, porquanto patrocinadoras de práticas de atividades físicas cientificamente deletérias à saúde e que levam a óbito.

Após esses nove anos da publicação do meu artigo “Os riscos do Treinamento Físico Militar”, verificam-se as seguintes providências do estado brasileiro a esse respeito:

  1. A cúpula militar, mais uma vez, ensejou retaliações jurídicas e disciplinares contra mim, pela publicação do artigo.
  2. A absoluta omissão estatal ante esse inaceitável estado de coisas, e as instituições militares e civis permanecem, reincidentemente, impondo aos seus quadros a prática das referidas atividades físicas, cientificamente prejudiciais à saúde e que levam a óbito.
  3. Inúmeros outros militares e civis continuam e continuarão a morrer em vão no Brasil, pela imperícia, imprudência, negligência, desídia, ou inépcia dos comandantes e das autoridades institucionais responsáveis.


terça-feira, 24 de maio de 2022

"Dia da remissão dos pecados da ABIN - 29 de maio"

 

"Dia da remissão dos pecados da ABIN - 29 de maio"

Livro “Ex-agente abre a caixa-preta da ABIN”

Dia em que o Tenente-coronel André Soares recebeu do Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência, em reunião sigilosa da ABIN, vergonhoso pedido oficial de desculpas pelas ilicitudes da agência.

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


quarta-feira, 4 de maio de 2022

A ilegitimidade do código de ética da ABIN

  

 

A ilegitimidade do código de ética da ABIN

Artigo de André Soares - 03/05/2022

Publicado no Consultor Jurídico (CONJUR)  

  


 

O “novo” código de ética da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), instituído pela Portaria nº 66/ABIN/GSI/PR, de 17 de fevereiro de 2022, e aclamado no site da agência como sendo a “atualização e o aperfeiçoamento do Código de Ética dos Agentes Públicos da ABIN” e “norteador da Atividade de Inteligência” no país; na verdade, é um instrumento de ilegitimidade jurídica e ética, inócuo e desvirtuado quanto ao real mister axiológico da atividade-fim da Inteligência de Estado no Brasil. Por conseguinte, deve ser urgentemente revogado, em prol da Legalidade, da Ética e da Inteligência Nacional. Contudo, o que a sociedade brasileira também desconhece é que a sua instituição constitui mais um teratológico capítulo da história antiética da ABIN, que a agência tenta desesperadamente encobrir. Ou melhor: “desacontecer”.

A genealogia desses fatos são anteriores à própria criação da ABIN, pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, como sucedânea legítima do famigerado Serviço Nacional de Informações (SNI), extinto pelo presidente Fernando Collor de Mello, em 1990. Produto do projeto de poder dos militares no governo Fernando Henrique Cardoso, sua trajetória institucional de mais de duas décadas como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) é eivada de ilegalidades e desvios éticos, vilipendiando de morte o estado democrático de direito vigente e a égide da consagrada e universal doutrina da Tríade da Inteligência, norteadora da edificação da Inteligência de Estado, cujos pilares fundamentais são: Sigilo, Legalidade e ÉTICA.

Este é o degenerado contexto em que a instituição do “novo” código de ética da ABIN foi engendrada, para induzir a sociedade brasileira a pressupor equivocadamente que este código estaria de fato “atualizando e aperfeiçoando” o código de ética anterior da agência. Ledo engano acreditar nisso! Porque, pasmem, a ABIN, desde sua criação há 23 anos, nunca criou seu código de ética próprio! E pasmem ainda mais! Porque significa que a ABIN, principal serviço secreto brasileiro e órgão central de todo SISBIN, vem perpetrando clandestinidades contra o estado e a sociedade brasileira, há mais de duas décadas, sem que seus dirigentes e todo seu público interno estivessem subordinados rigorosamente a um código de ética específico para o exercício da sua atividade de inteligência no país. Aliás, nada mais fomentador à ação da criminalidade organizada no âmbito da mais alta cúpula da Inteligência Nacional, a exemplo dos crimes hediondos cometidos pela ABIN na Operação Sathiagraha (2008), os quais foram condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em (2011), e em última instância pela Suprema Corte (STF), em 2015.

Nesse mister, a ilegitimidade do código de ética da ABIN remete ao resgate da verdade histórica, no qual o protagonismo da agência no caos da Inteligência Nacional recrudesce de forma ainda mais estupefaciente. Pois, em 1997, a proposta de criação da ABIN, feita pelo Poder Executivo Federal ao Congresso Nacional, foi antecedida e acompanhada por um posicionamento oficial da Presidência da República à sociedade sobre a “Inteligência de Estado e Ética”. Naquela oportunidade, foi apresentada uma concepção presidencial sobre o papel e a ação da Ética na atividade de Inteligência a ser conduzida pela ABIN, denominada “A Inteligência em defesa da sociedade, do estado democrático de direito e dos interesses nacionais.” O aspecto mais importante destacado no documento presidencial era a necessidade imperiosa da criação de um Código de Ética específico para a Inteligência de Estado no país, ao qual a futura ABIN/SISBIN e todos os seus integrantes estariam submetidos. (General Alberto Mendes Cardoso - Chefe da Casa Militar da Presidência da República: “A Inteligência em defesa da sociedade, do estado democrático de direito e dos interesses nacionais”. Brasília: Presidência da República - Casa Militar - Subsecretaria de Inteligência - novembro de 1997).

Contudo, a partir da criação da ABIN/SISBIN, em 1999, a agência ignorou completamente seu compromisso oficial anteriormente assumido, sem fazer qualquer referência explícita na Lei 9883 a respeito do Código de Ética da ABIN/SISBIN, o qual vinha sendo alardeadamente anunciado e prometido à sociedade pela Presidência da República, desde 1997. A única menção existente no referido diploma legal sobre a conduta Ética da ABIN/SISBIN refere-se, genericamente, aos princípios éticos do Estado:

[...] “Art. 3º, lei 9883, de 07 de dezembro de 1999

Parágrafo único

“As atividades de inteligência serão desenvolvidas, no que se refere aos limites de sua extensão e ao uso de técnicas e meios sigilosos, com irrestrita observância dos direitos e garantias individuais, fidelidade às instituições e aos princípios éticos que regem os interesses e a segurança do estado.”

 
Portanto, a ABIN divorciou-se da sua promessa de criação de um código de ética específico para a Inteligência no Brasil, condição “sine qua non” para sua criação. Posteriormente, objetivando enganar a sociedade sobre essa crucial questão, a ABIN passou deliberadamente a adotar sucessivas estratégias diversionistas, cujo discurso oficial afirmava que a sua devida base axiológica necessária para o pleno exercício da Inteligência de Estado no país encontrava-se consolidada no “Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal”; o qual, segundo a ABIN, era o único e principal balizador das atitudes e condutas dos integrantes e dirigentes da ABIN/SISBIN, no exercício da Inteligência de Estado no Brasil.
 
Comprova-se cabalmente assim a tipificação do degenerativo comportamento institucional antiético da ABIN; que; como o órgão central do SISBIN, ao longo de mais de 20 anos, vem se eximindo, se esquivando e relegando ao olvido o tratamento de temática fundamental ao emprego da Inteligência de Estado no Brasil, agravado pelo cometimento de flagrante e injustificável infração, por não honrar seu compromisso original assumido pela Presidência da República para com a sociedade brasileira, formulado como condicionante de sua própria criação, em 1997; o que por si só já configura abjeta e perigosa perversão do comportamento ético institucional.
 
Mas, nesse contexto, emerge um enigmático questionamento sobre a ABIN. Por que afinal somente agora, em 2022, com mais de duas décadas de total esquecimento deste assunto, a ABIN resolveu então repentinamente instituir seu código de ética, do qual sempre se divorciou; se este assunto já estava natimorto pela agência, desde a sua criação, em 1999?
Resposta: Para tentar “desacontecer” mais esse teratológico capítulo da história antiética da ABIN.
 
Assim, o código de ética da ABIN é juridicamente e eticamente ilegítimo, inócuo e desvirtuado, primeiramente porque, como exposto, a verdadeira atribuição da ABIN, como órgão máximo da Inteligência Nacional, não é a elaboração de um código de ética exclusivamente para si mesma; mas sim a elaboração de um código de ética específico para o exercício da Inteligência de Estado no Brasil, para todo o SISBIN, que envolve inúmeras outras agências de Inteligência da Administração Federal. Portanto, a ABIN, ao instituir seu denominado “código” de ética dissociado do SISBIN, além de mais uma vez não honrar seu compromisso anteriormente assumido para com a sociedade, criou também inexoravelmente um potencial gigantesco de perigosa degenerescência ética da Inteligência Nacional. Porquanto demandará que as demais agências de inteligência integrantes do SISBIN, de forma congênere ao mau exemplo da ABIN, também instituam seus respectivos códigos de ética, por conta própria, incorporando ao caos da Inteligência de Estado no Brasil os inescapáveis desvirtuamentos da “Torre de Babel” ética dos serviços secretos brasileiros.
 
Por importante, ressalta-se ainda que a criação do código de ética da ABIN carece gravemente da devida legitimidade ética e jurídica. Porquanto, a despeito de instituído a pretexto do art.7º da Lei nº 11.776, de 17 de setembro de 2008; o diretor-geral da ABIN não tem competência e legitimidade para exarar monocraticamente código de ética sobre o exercício de atividade típica de Estado, o qual inclusive tem efeito vinculante para todo o SISBIN e para a Inteligência Nacional. E este ato do diretor-geral da ABIN também materializa a heresia jurídica que é o fato de um diretor de órgão público de nível subalterno decretar monocraticamente o código de ética do próprio órgão, sobre o exercício de suas próprias atividades, e à revelia da devida aprovação de escalões hierárquicos superiores. Porquanto, ao contrário, esta nobre e elevada competência de Estado é afeta exclusivamente ao Congresso Nacional, ou a instâncias colegiadas hierarquicamente superiores à ABIN, onde uma proposta de código de ética da Inteligência de Estado no Brasil deve ter seu escopo previamente submetido ao escrutínio do debate democrático, para efetivação das correções, sugestões e aperfeiçoamentos necessários; recebendo a devida chancela de aprovação parlamentar e sanção presidencial; propedêutica processual esta que é obrigatoriamente imposta a todos os códigos de ética referentes ao legítimo exercício das atividades típicas de estado no país, como por exemplo:
1. Estatuto dos Militares, instituído pela Lei Nº 6.880, de 9 de Dezembro de 1980;
2. Código de Ética da Magistratura Nacional, instituído pela Resolução Nº 60 de 19/09/2008, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
3. Código de Ética profissional do servidor público civil do Poder Executivo Federal, Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994
4. Código de conduta da alta administração federal, Exposição de motivos nº 37, de 18.8.2000 - aprovado em 21/08/2000.
 
Nesse interminável festival de engodos, o código de ética da ABIN também é inócuo, porquanto seu conteúdo deontológico não é específico da atividade-fim da Inteligência de Estado; atendo-se apenas e tão somente ao tratamento genérico da atividade coadjuvante da “análise de informações”; a qual inclusive é atividade institucional inerente e comum a todo o aparato estatal. Isso porque um verdadeiro e legítimo código de ética, que seja específico para o exercício da Inteligência de Estado no Brasil, deve primordialmente dar tratamento axiológico à sua real atividade-fim, que é a “expertise do emprego operacional do sigilo”, seara na qual estão inseridas as ações sigilosas dos agentes secretos, nas denominadas “operações de Inteligência”; que é a sua real identidade institucional e, portanto, a única razão de ser desses organismos. Destarte, a inespecificidade do código de ética da ABIN é tão escandalosamente escabrosa que ele pode ser aplicado em “efeito placebo” inocuamente e indistintamente a qualquer órgão público.
 
Por derradeiro e não menos importante, é de se destacar o inominável acinte que o código de ética da ABIN representa contra os mais elevados preceitos da Ética de Estado no Brasil, por conta do seu doloso desvirtuamento da concepção de um legítimo código de ética estatal, cujo escopo deve estar adstrito exclusivamente à regulamentação dos valores, deveres, vedações, proibições e responsabilidades aplicáveis ao universo do seu público-alvo. Porque outra gravosa anomalia deontológica que ali se verifica, constitutiva de verdadeiro afrontamento e antítese ao ordenamento ético-jurídico, é a impertinente, inaceitável e absurda inclusão no referido código de ética da agência dos “Direitos dos agentes públicos da ABIN” (Art. 8º (I a XI), Seção II, Capítulo 2); contrariando de morte inclusive o próprio art.7º da Lei nº 11.776, de 17 de setembro de 2008, que assevera tacitamente que o código de ética da ABIN deve regulamentar apenas e tão somente o “conjunto de deveres e responsabilidades” dos servidores da agência:
 
Art. 7o  Os servidores da ABIN, no exercício de suas funções, ficam também submetidos ao conjunto de deveres e responsabilidades previstos em código de ética do profissional de inteligência, editado pelo Diretor-Geral da ABIN.
 
Portanto, quanto ao denominado “código” de ética da ABIN, resta sobejamente demonstrado que o mesmo deve ser sumariamente revogado, em prol da Legalidade, da Ética e da Inteligência de Estado no Brasil. Por outro lado, quanto ao grave recrudescimento da crise da inteligência nacional, ao que na verdade estamos assistindo são as manifestações explícitas de uma metástase institucional da ABIN/SISBIN, por sua degenerescência aquiescida em mais de duas décadas de clandestinidades, inépcia e diletantismo irresponsável de seus dirigentes. Se este é um gravíssimo problema afeto à inteligência de Estado, seu enfrentamento é exclusivamente de natureza moral, por parte de nossos governantes, pois demanda unicamente deles terem a coragem moral para cumprirem o desafio deste desiderato; conquanto o Brasil careça há décadas de mandatários dignos e com perfil de liderança. Todavia, a despeito disso, a solução para o caos da Inteligência brasileira e a edificação de uma nova e eficiente Inteligência de Estado no Brasil é extremamente simples, que é: a urgente e completa extinção da ABIN, condição primeira e indispensável para a devida reestruturação da Inteligência Nacional, que deve ser regida incondicionalmente sob a égide da doutrina da Tríade da Inteligência (Sigilo, Legalidade e ÉTICA); e, acima de tudo, tendo como seus integrantes exclusivamente os dignos brasileiros e brasileiras nobres de caráter.
 
“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
(Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

 


 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)

 Documento oficial da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), informando que “Nada consta” nos arquivos da agência sobre o Tenente-coronel André Soares; que é autor do livro “Ex-agente abre a caixa-preta da ABIN”; e que, em 2004, como analista do Departamento de Contrainteligência da ABIN, denunciou pessoalmente as clandestinidades da agência na "Operação Mídia", ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no Palácio do Planalto, no governo Lula.

  

quinta-feira, 17 de março de 2022

A missão da inteligência brasileira: a defesa dos EUA

 

A missão da inteligência brasileira: a defesa dos EUA

Artigo de André Soares - 17/03/2022  

 Publicado no Consultor Jurídico (CONJUR) - veja aqui   

  

O jornal The New York Times publicou, em 16/03/2022, a matéria “Submarine Spy Couple Tried to Sell Nuclear Secrets to Brazil” (veja a íntegra da matéria), revelando que um engenheiro da Marinha americana (Jonathan Toebbe) e sua esposa (Diana) tentaram vender ao Brasil, em 2020, por intermédio da inteligência brasileira, milhares de fidedignos documentos sobre altos segredos da tecnologia de fabricação de submarinos nucleares norte-americanos, classificados no grau ultrassecreto.

Pergunta: O que fez a inteligência brasileira, como destinatária exclusiva desse extraordinário e fidedigno material sigiloso, sobre altos segredos de tecnologia de fabricação de submarinos nucleares dos EUA, de incomensurável valor científico, militar e estratégico em nível mundial; o qual é fruto de excepcional espionagem realizada exclusivamente por nacionais norte-americanos, espionagem esta que havia superado magistralmente todas as medidas de contrainteligência dos EUA; considerando principalmente que o projeto de construção do submarino nuclear brasileiro (1978), iniciado há quase meio século, representa um corolário de insucessos, correndo atualmente sério risco de “naufragar”?

Resposta: Acredite se quiser! Pois a inteligência brasileira não hesitou em imediatamente denunciar o eficiente casal de espiões americanos ao FBI (Federal Bureau of Investigation) dos EUA. Isso mesmo! O mesmo FBI, cujo chefe no Brasil, Carlos Costa, declarou internacionalmente, em 2004,  que “...a ABIN é uma agência de inteligência que se prostitui...”.

E a inteligência brasileira ainda fez mais: autorizou que o FBI se disfarçasse oficialmente como sendo o governo brasileiro, fazendo assim o Brasil patrocinar uma investigação de natureza exclusivamente estadunidense, sobre as gravíssimas falhas de sua contraespionagem.

E quanto ao governo brasileiro?

Até o momento, a única manifestação do governo brasileiro a esse respeito é o seu mais absoluto e comprometedor silêncio.

Como terrível agravante, até mesmo a mídia nacional está referendando essa nefasta atuação da inteligência brasileira neste episódio. Afinal, quando que os melhores serviços secretos do mundo, como dos EUA, Israel, Inglaterra, França, Alemanha, etc, denunciaram ao Brasil os espiões traidores brasileiros, dentre os inúmeros dirigentes da inteligência nacional, bem como nossos governantes, autoridades públicas, políticos, grandes empresários, etc, que lhes vão sistematicamente vender segredos estratégicos e cruciais sobre o Brasil?

A verdade estarrecedora e absolutamente inaceitável sobre o caos da inteligência brasileira, cuja criminalidade e degenerescência vilipendiam o estado democrático de direito vigente, há muito já foi escancarada internacionalmente pessoalmente pelos próprios presidentes do Brasil: Jair Bolsonaro e Dilma Rousseff.

Nesse sentido, lembremos que em 06/01/2019, a ex-presidente Dilma Rousseff criticou duramente as declarações do atual chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que em seu discurso de posse afirmou que o sistema de inteligência brasileiro foi “derretido” pela petista, uma vez que a “senhora Rousseff não acreditava na inteligência”. Em sua nota, intitulada “A inteligência na qual não se deve acreditar”, a ex-presidente Dilma destaca várias situações em seu mandato de manifesta ineficácia do GSI e da ABIN/SISBIN (Agência Brasileira de Inteligência e Sistema Brasileiro de Inteligência), como a gravíssima espionagem em seu gabinete, no avião presidencial e na Petrobras, realizada em 2013 pela NSA (National Security Agency) dos EUA.

Em 22 de abril de 2020, na histórica reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros de estado, a qual foi tornada pública pela sábia decisão monocrática do então ministro Celso de Melo do STF; a mais grave das irregularidades que ali foram desveladas foram as veementes revelações do presidente Bolsonaro sobre o caos da inteligência nacional, manifestadas em suas seguintes palavras:

  • "Eu não posso ser surpreendido com notícias"
  • "A gente não pode viver sem informações"
  • "Eu tenho a inteligência das Forças Armadas, que não têm informações"
  • "A ABIN tem seus problemas, aparelhamento, etc..."
  • "A gente não pode ficar sem informações"
  • "O serviço de informações nosso, todos, é uma vergonha!, é uma vergonha!...e não sou informado"
  • "Sistema de informações, o meu funciona, o meu particular funciona,.... os que tem oficialmente desinforma,.....eu prefiro não ter informações do que ser desinformado pelo sistema de informações que eu tenho..."

Portanto, conquanto tardiamente, tem-se inconteste a comprovação tácita e oficial de dois presidentes do Brasil, politicamente adversários, sobre o que venho denunciando a respeito da caixa-preta dos serviços secretos brasileiros, há mais de 20 anos: trata-se da organização criminosa mais poderosa do país, absolutamente acima da lei, perpetrando crimes hediondos contra o estado e a sociedade brasileira, sendo hospedeiro de serviços secretos estrangeiros e organizações criminosas; cujo câncer fulminante em metástase terminal, levará o Brasil a óbito; mas sem jamais descurar de sua precípua missão: a defesa dos EUA.


 

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A nova logomarca da ABIN e as virtudes INTELECTUFAIS

 

Artigo de André Soares - 23/11/2021  

 

Nova logomarca da ABIN

A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) tem uma nova logomarca, instituída pela Portaria GSI/PR nº 95, de 8 de novembro de 2021, do ministro do GSI, Augusto Heleno, publicada no Diário Oficial da União (DOU), de 11 de novembro.

O texto da referida portaria do GSI destaca, dentre outras, “... o azul é considerado a cor das virtudes INTELECTUFAIS, no que simboliza o trabalho de inteligência, baseada no racional, e de onde decorre o conceito de confiança que os decisores precisam ter nos produtos da Agência Brasileira de Inteligência para que o assessoramento oferecido pelo órgão seja BEM SUCEDIDO.”

Nesse sentido, é cediço que o dicionário da língua portuguesa não registra o vocábulo INTELECTUFAIS. Igualmente, na gramática da língua portuguesa, o vocábulo BEM-SUCEDIDO, com significado de “sucesso”, deve ser obrigatoriamente redigido com hífen; e não sem hífen, como consta da referida portaria do GSI.

Evidentemente que na hipótese da referida portaria do GSI ter sido redigida com essas incorreções, o que por si só causaria grave estupefação, por se tratar de portaria da Presidência da República; causa ainda escabrosa perplexidade e preocupação que erros revisionais e gramaticais tão elementares sejam cometidos pela Agência Brasileira de Inteligência.

Por outro lado, informações do site da agência atestam que a sua nova logomarca foi resultado de um amplo processo interno de criação e validação. Nesse sentido, verifica-se que a diferença principal entre as duas logomarcas é que na nova logomarca foi retirado o círculo azul escuro que circunscrevia a logomarca anterior, no qual constava a inscrição “Agência Brasileira de Inteligência”; o que foi substituído pelo acrônimo “ABIN” na base da nova logomarca da agência, logomarca esta que também deixou de ter o formato gráfico circular.

Logomarca anterior da ABIN

Nesse mister, a título de relevante contribuição heráldica sobre a Inteligência de Estado internacional, destaca-se que a tradição prevalente nos melhores serviços de inteligência do mundo, majoritariamente apresenta em suas logomarcas oficiais três características primordiais, a exemplo das logomarcas abaixo assinaladas, a saber:

  1. Formato circular;
  2. Inscrição do nome completo da agência ou serviço de inteligência;
  3. Inscrição do nome do país de origem.

Portanto, por se tratar de simbologia oficial, destinada à perfeita identificação e representação da ABIN, perante a sociedade brasileira e a comunidade internacional, como sendo o órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), subordinado à Presidência da República Federativa do Brasil; verifica-se que a nova logomarca da agência representa um retrocesso em relação à logomarca anterior porque, além de divorciar-se da tradição dos melhores serviços de inteligência mundiais, apresenta deficiências que não permitem ao público externo, nacional e internacional, identificar e reconhecer:

  1. Tratar-se de órgão público, e da Presidência da República;
  2. O nome completo do órgão (Agência Brasileira de Inteligência);
  3. O país de origem (República Federativa do Brasil).
Brasil Soberano e Livre: Os serviços de inteligência dos EUA