quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Decifrar pessoas IV - Como conquistar pessoas

Artigo de André Soares - 06/11/2010.

Conquistar pessoas continua a ser o maior enigma da humanidade. Nunca se buscou tanto decifrá-lo e quem o fizer terá enorme poder. Na atual era da informação em que vivemos multiplicam-se exponencialmente os trabalhos, publicações e estudos a respeito, pois as pessoas são ávidas por esse conhecimento. Todavia, paradoxalmente à dificuldade em dominar essa expertise, conquistar pessoas tem uma fórmula infalível. E pasmem, ela já é conhecida há tempos.
Quer saber?
Simples.
Quer conquistar homens?
Então, ofereça sexo.
Quer conquistar mulheres?
Então, ofereça amor.
A maior hipocrisia é que homens e mulheres sabem muito bem disso, empregam essas estratégias desde muito cedo, embora neguem veementemente.
Entretanto, como fracassam em obter o resultado final de conquistar pessoas, homens e mulheres entram no eterno ciclo de buscar encontrar outras soluções para esse intento.
Nunca encontrarão, pois a fórmula para conquistar pessoas é exatamente esta e, como foi dito, é infalível. Portanto, o problema do insucesso generalizado em conquistar pessoas não está na fórmula, mas sim nas próprias pessoas.
O motivo para todo esse fracasso é que as pessoas se tornaram especialistas em empregar essa fórmula não para conquistar homens e mulheres, mas para enganá-los. E, nesse sentido, o êxito é total, pois homens e mulheres nunca sofreram tanto por serem tão enganados, como atualmente.
Com isso, “o feitiço se volta contra o feiticeiro”, pois além de ser impossível conquistar quem se descobre enganado, o protagonista dessa traição receberá a devida hostilidade, em contrapartida.
Quer saber, realmente, como conquistar pessoas?
Simples.
Quer conquistar homens?
Então, ofereça sexo.
Quer conquistar mulheres?
Então, ofereça amor.
Sabe onde está o enigma?
Não basta apenas oferecer amor e sexo. É indispensável oferecer, também - verdade e ética.

Decifrar pessoas III - Fator 3.3


Artigo de André Soares - 02/11/2010.
Quanto tempo é necessário para decifrar uma pessoa?
Se perguntarmos aos melhores cientistas especializados no assunto, eles responderão ser necessário realizar vários testes e análises científicas em laboratórios semelhantes à NASA. Isso levará, no mínimo, um ano. Posteriormente, serão necessários aproximadamente mais 3 a 5 anos de procedimentos de validação, perfazendo um total de 4 a 6 anos. Mas, ainda não acabou. A reavaliação do trabalho pode chegar à conclusão da necessidade de mais tempo para a obtenção de resultados consistentes, em função de outras tantas variáveis importantes. Assim trabalha a ciência e é assim que o conhecimento científico avança. Todavia, em geral, não temos todo esse tempo para chegarmos a uma conclusão segura sobre questões importantes, principalmente sobre como são as pessoas.
Solução? É claro que há! Mas, fácil não é, evidentemente; pois chegar a conclusões acertadas sobre as pessoas, em menos tempo, é ainda mais difícil. Mas, conhecimento científico não significa necessariamente “conhecimento demorado”, mas sim conhecimento fundamentado.
Veja, por exemplo, caso semelhante em que se necessita de uma avaliação sobre o estado de conservação e funcionamento de um automóvel. Da mesma forma, um especialista necessitará avaliá-lo detalhadamente numa oficina, realizando vários testes e isso levará, no mínimo, vários dias, certamente.
Mas, você não tem todo esse tempo. Talvez, você precise dessa informação em poucos minutos para fechar, ou não, um negócio de compra e venda desse automóvel – e é assim que acontece a todo o momento no comércio de veículos. Vale ressaltar que os empresários mais bem sucedidos do ramo, quando necessário, sabem como avaliar um veículo em pouco tempo e descobrir se estão diante de um excelente negócio, ou um ‘mico’.
Há uma fórmula?
É claro, que há!
Qual é?
Para avaliar carros, não sei. Mas, para decifrar pessoas, posso ajudá-lo.
Conheça, então, o fator 3.3
Quanto tempo é necessário para decifrar alguém?
Respondo: 3 minutos – no máximo. Por isso o nome do fator é: três ponto três.
Para entender, vamos partir da situação padrão na qual se conhece uma pessoa pela primeira vez.
O primeiro três do fator 3.3 refere-se a menos tempo ainda – 3 segundos.
3 segundos é o tempo máximo que uma pessoa necessita para chegar a uma conclusão pessoal sobre alguém, quando a vê pela primeira vez. Isso não é puro ‘achismo’, havendo estudos científicos comprovados que demonstram isso. Evidentemente, a conclusão pessoal a que se chega pode ser equivocada, em relação ao que a pessoa que se está vendo, realmente é de fato. Aliás, isso é o que mais ocorre com as pessoas em geral, explicando o porquê da maioria delas errar tanto quando se trata de decifrar pessoas. A verdade comprovada é que o erro nesses casos é muito mais a regra que a exceção, pois nesse curto espaço de tempo de 3 segundos interferem na avaliação das pessoas, inevitavelmente, fatores subjetivos de aceitação e rejeição. E isso é o que acontece significativamente em relação à avaliação que as pessoas fazem umas das outras, nos muitos casos nos quais se cria uma impressão pessoal sobre alguém que apenas se viu, mas não se conhece.
Portanto, se quiser decifrar pessoas, a partir de agora, sempre que interagir com alguém pela primeira vez, policie-se e tente evitar se deixar levar por sentimentos precipitados de simpatia e antipatia que irão acometê-lo, inescapavelmente. Caso contrário, em menos de 3 segundos você já errou sobre a avaliação de alguém, principalmente porque em muitos casos você não terá mais tempo que isso.
Se tiver, lembre-se do segundo 3 do fator 3.3, que se refere a 3 minutos.
3 minutos é o tempo máximo que uma pessoa necessita para chegar a uma conclusão pessoal sobre alguém, a partir do momento em que esta passa a se expressar voluntariamente, principalmente por meio da comunicação verbal. Evidentemente, que o processo de comunicação humana é um todo, implicando sua manifestação verbal e não verbal. Ambas são fundamentais e ocorrem em concomitância, sendo inúmeros os elementos intervenientes nesse processo. Mas, o fundamental é que a linguagem falada revela significativos aspectos da personalidade, bem como fatores de ordem emocional humanos. Inclusive, há polígrafos para a detecção de mentiras, desenvolvidos exclusivamente para a investigação da expressão oral dos investigados. Evidentemente, que não é fácil identificar pessoalmente os inúmeros aspectos existentes na fala e que constitui melhor tarefa para computadores. Todavia, ainda há na comunicação verbal importante subsídio informacional sobre as pessoas que computadores não identificam, mas seres humanos sim.
Refiro-me à individualidade do ser humano, que o faz único. Evidentemente, que se trata de aspectos essencialmente subjetivos de difícil identificação, mas que a sensibilidade humana capta de forma emocional na relação interpessoal. Assim é que outro aspecto muito importante a destacar é que nesse contexto, quando o interlocutor se expressa verbalmente, mesmo que a pessoa em questão tente deliberadamente mentir sobre o conteúdo de sua fala (e consiga), dificilmente conseguirá mentir sobre a sua própria individualidade como ser humano. O interlocutor pode até conseguir enganar sobre o assunto tratado, mas não conseguirá enganar sobre si mesmo aspectos como inteligência, raciocínio, valores, cultura, idiossincrasias, sociabilidade, tato, educação, só para citar alguns. Além disso, e mais importante, é saber que o interlocutor não conseguirá impedir a revelação do seu espírito, sua alma, sua energia, e a sua luz.
Esse aprendizado pode parecer impossível, mas é apenas difícil, e pode ser alcançado com muita dedicação, estudo e treinamento. Veja o exemplo de um músico profissional. Ele consegue identificar elementos numa canção que são impossíveis para uma pessoa comum como, por exemplo, o compasso, a harmonia, a orquestração, todos os instrumentos que estão tocando, o timbre, o tom da melodia, a afinação, e até os erros que são cometidos que um leigo sequer imagina.
Como ele faz tudo isso?
Ouvindo.
Só que para ouvir assim o músico profissional precisou aprendê-lo com muito estudo, dedicação e treino. Da mesma forma, você pode aprender a decifrar as pessoas. E assim, exatamente como um músico ouvindo as canções, você não precisará mais do que 3 minutos para ‘ouvir’ as pessoas.

Decifrar pessoas II - a personalidade

Decifrar pessoas II - a personalidade
Artigo de André Soares - 28/10/2010.
 “As pessoas não mudam.”

Nunca se esqueça disso. Se o fizer, sua vida será marcada pelo engano e pela decepção com as pessoas, em seu próprio prejuízo.

Isto porque o que determina fundamentalmente o comportamento humano é a personalidade e vários fatores interferem na sua constituição. Todavia, uma vez formada a personalidade do indivíduo esta não mais se altera, e isso ocorre ainda na infância e não na adolescência, nem na vida adulta, como ingenuamente se imagina.

Observe e analise com mais atenção o comportamento de adultos e crianças e você chegará a uma constatação inexorável – a essência da personalidade de qualquer pessoa adulta é exatamente a mesma de quando era criança, aproximadamente entre os 6 e 10 anos de idade, quando esta se consolida.

Isso representa significativos ensinamentos de ordem prática para a vida real. O principal deles é que o caráter - elemento da personalidade que determina a conduta ética-moral do indivíduo – já se manifesta plenamente na infância e de forma imutável.

Significa, por exemplo, que os corruptos, criminosos e malfeitores, que a história está a registrar e que tanto prejuízo causaram e causam às pessoas e à humanidade, já possuíam suas personalidades doentias desde a infância.

Todavia, você não precisa recorrer à história, ou a aprofundados estudos científicos, para saber disso. Basta fazer um retrospecto da sua trajetória de vida e de seus amigos de infância.

O que aconteceu com vocês, ao longo de suas vidas?

Tornaram-se exatamente o que sempre foram quando eram crianças.

Ou seja, a minoria dos que eram crianças virtuosas alcançou o sucesso na vida adulta; a maioria dos que eram crianças medíocres cresceu acumulando inúmeros problemas pessoais, sempre reclamando da vida; e todas as crianças com falhas de caráter, mal-educadas, desobedientes, sádicas e perversas, cujo comportamento foi dolosamente ignorado e não corrigido pelos pais, professores e pela própria sociedade, aprimoraram a própria personalidade patológica.

Aproveite esse retrospecto e recorde-se também de todos aqueles, inclusive você, que ofenderam, prejudicaram e, principalmente, traíram amigos, familiares, amores, e até o seu próprio país. Pois, estes, quando surpreendidos ou mal-sucedidos também se apressaram em se arrepender e a se desculpar, sempre em forte e persuasivo apelo emocional, geralmente regado a lágrimas em profusão.

Entretanto, lembre-se que se o perdão tem o poder de acalentar espíritos inquietos e atormentados, perdoar não tem o poder de mudar os fatos, nem de esquecê-los.

Portanto, não se esqueça: “As pessoas não mudam.”

Quer decifrar pessoas?

Então, decifre as crianças.

Nelas, o próprio futuro já está pronto e acabado.

"Decifrar" pessoas

"Decifrar" pessoas
Artigo de André Soares - 06/04/2010.
“Decifrar” pessoas é o desafio de conhecer o ser humano cada vez mais e plenamente, que perpassa os tempos, no qual a humanidade tem se empenhado incansavelmente, pelo incomensurável valor que estes conhecimentos representam. A felicidade e o sucesso são intrínsecos ao conhecimento e à arte de saber lidar com pessoas, seja consigo mesmo, na família, no trabalho, na vida social, na política, no amor, no sexo, na paz e na guerra . Do misticismo à bruxaria, da arte à ciência, o “vale tudo” pela expertise de “decifrar” pessoas se justifica tanto nos incontáveis argumentos pela benemerência universal, como nos encobertos propósitos de manipulação humana.
Apesar das várias descobertas e conhecimentos produzidos sobre o comportamento humano a maior dificuldade em desvendá-lo decorre da natural contrapartida de defesa contra esta ação de investigação, que se manifesta na extraordinária capacidade psicossocial do ser humano de enganar e se auto-enganar, induzindo a erro com maestria a todos e inclusive a si mesmo, sobre a verdade da sua própria natureza.
O resultado final mais efetivo no convívio e relacionamento humanos é que as pessoas se tornaram muito mais hábeis em enganar o outro do que em conhecê-lo. Conseqüentemente, as ações propositivas individualmente envidadas no sentido de “decifrar” as pessoas, na sua maioria, resultam muito mais em erros que acertos. Assim, paradoxalmente aos avanços nos estudos da psique, avulta a crescente epidemia de crises e transtornos mentais que vem comprometendo gravemente a saúde das pessoas na atualidade, os quais são decorrentes principalmente das frustrações, insucessos e fracassos nos relacionamentos inter e intrapessoais, que inspiram grande preocupação nos principais fóruns internacionais dedicados a este mister.
Se na atual conjuntura o desafio de “decifrar” pessoas está cada vez mais difícil, merece destacar dois princípios fundamentais que retratam com grande objetividade e fidedignidade um dos principais elementos determinantes do comportamento humano – a personalidade.
“Quer decifrar pessoas?”
Então, conheça as suas personalidades.
 “Quer conhecer a personalidade de alguém?”
Então, conheça o seu passado, pois “as pessoas são escravas do próprio passado.”
O passado é o “retrato” de cada pessoa e a amostra fiel do “DNA” da sua personalidade, do qual não se pode fugir. Mas, conheça-o o mais integralmente possível, atentando para o fato de que como as pessoas escondem o passado que não lhes agrada é este lado obscuro o que há de mais revelador sobre as suas personalidades.
Merece especial atenção saber que ainda pior que aquele que tem um passado a esconder é aquele que o renega. Estes, em geral, afirmam terem se redimido dos erros anteriormente cometidos e se transformado em “novas” pessoas, a partir de então. Mentira!  Nada mais falso e traiçoeiro! Reconstruir a vida a partir dos próprios erros só é possível, verdadeiro e autêntico assumindo-os e “carregando a cruz” do próprio passado. Querer “apagá-lo” é renegar-se a si próprio, e só faz evidenciar aqueles que na verdade têm vergonha de si mesmos, pois sabem o que realmente são, e indubitavelmente continuarão a ser.
“Quer conhecer a personalidade de alguém?”
Então, conheça o seu exemplo, pois nada é mais verdadeiro sobre uma pessoa que as suas ações e inações.
Se também podemos identificar indícios da personalidade humana nas manifestações do seu comportamento por meio das palavras, dos gestos, dos desejos, das intenções, das idéias, dos sonhos, etc, por outro lado são as suas ações e inações o que há de mais crível e cabal sobre alguém. O que uma pessoa faz é exatamente o que ela é, e o verdadeiro ser de uma pessoa se revela integralmente no que ela faz, ou deixa de fazer. Nada é tão simples e ao mesmo tempo tão difícil e doloroso de aceitar como esse fato, pois as pessoas preferem se iludir no erro de imaginar que a personalidade do ser humano pode transcender às suas próprias ações. Ledo engano!
A arte de “decifrar” pessoas requer a coragem de perscrutar a verdade e aceitá-la, pois para conhecer verdadeiramente o outro é necessário, antes de tudo, conhecer verdadeiramente a si próprio. Portanto, investigando o passado e o exemplo, “decifra-se” toda e qualquer pessoa. Significa dizer também que seja lá qual forem o seu passado e o seu exemplo, é exatamente isso o que você é.


A Revolução fracassada

A Revolução fracassada
(O Brasil: de 1964 aos nossos dias)
Artigo de André Soares - 28/03/2010.
A derrota é o ônus dos que têm a coragem de lutar e não desmerece aquele que lutou com bravura e perdeu com honra, pois este é o apanágio dos nobres de caráter, que dignificam a própria derrota ante a vitória do seu oponente.  A revolução fracassada, ao contrário, é a luta perdida contra a “vitória” da mediocridade, que vitima as sociedades e está contaminando o Brasil.
“O que há de errado com os medíocres?”
A princípio, nada! Mediocridade não é crime e não desabona seus protagonistas, mas ser medíocre é ser sem relevo, sem expressão, sem projeção, sem destaque, sem razão...sem tesão!
A “vitória” da mediocridade não impedirá que no futuro próximo o Brasil goze de maior projeção no cenário internacional e ascenda ao círculo das maiores potências econômicas mundiais, como se está alardeando, pois a “filosofia” da mediocridade possibilita obter certos “benefícios”, e o crescimento financeiro-econômico é certamente o principal deles. Nesse sentido, o Brasil está demonstrando ser um dos melhores países do mundo para se ganhar dinheiro, pois ganhar muito dinheiro no país está cada vez mais fácil. Entretanto, o que está se tornando cada vez mais raro é que isso se dê honestamente – aí, está quase impossível. Evidentemente que esse pequeno e irrelevante “detalhe” sequer preocupa, ou incomoda os medíocres, pois este estado de coisas apenas sinaliza que a “vitória” da mediocridade está próxima.
O Brasil está se transformando no paraíso dos medíocres, os quais já dominam quase completamente todas as expressões da vida nacional, não se restringindo apenas aos políticos, os quais inclusive são injustamente acusados de serem os únicos, pois continuam sendo legitimamente eleitos por uma sociedade de eleitores igualmente medíocre, confirmando as palavras do sábio filósofo ao demonstrar que: “...cada povo tem o governo que merece...”
Assim é que “nunca antes na história desse país” o Brasil e os brasileiros foram tão livres, independentes e soberanos na condução democrática do seu próprio destino e na sua autodeterminação, como está ocorrendo hodiernamente.
“Que assim seja!”
Todavia, as principais conquistas da história da humanidade, em todos os povos, são decorrentes de revoluções que inauguraram novas eras, novos tempos, cujos partícipes são reverenciados com orgulho e admiração como líderes e heróis, e suas realizações cultuadas como exemplos para as gerações futuras. Muitos deles pereceram, é verdade, mas estes certamente compartilhavam do mesmo espírito do nosso Vice-Presidente da República, José Alencar, em cujo exemplo de vida tem revelado: “Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra”.Os mais de 500 anos de história do Brasil são marcados por momentos gloriosos e personalidades de grande envergadura que lutaram pelo esplendor do país continental que temos hoje. O mesmo não se pode dizer da história recente do país, lamentavelmente. A retrospectiva que se fará num futuro não muito distante, certamente identificará em que momento a então gloriosa história do Brasil degenerou para a “vitória” da mediocridade, constituindo as páginas negras dos capítulos da auto-desconstrução desse país, pois o Brasil já vive as graves e destrutivas conseqüências da eclosão de enormes passivos produzidos por gerações e gerações de medíocres.
Alarmismo? Teoria da conspiração?
Não! Apenas a verdade de que a “vitória” da mediocridade tem um preço – o futuro. E este não será o futuro das gerações atuais porquanto estas estão se esbaldando na mediocridade e, evidentemente, não estarão mais aqui quando o país se exaurir e a “festa” acabar.
Mas, “lutando” contra a “vitória” da mediocridade se insurge no país a revolução fracassada – a revolução dos outros medíocres, os perdedores por opção. Seu contingente é enorme e estão por toda parte. São facilmente identificados, pois sua principal “ação de combate” é reclamar. Reclamam de tudo, de forma indiscriminada e compulsiva. Afinal, tudo está errado, o mundo está errado! Soluções? Conhecem todas e resolvem qualquer contencioso nacional e internacional com um discurso teórico-abstrato afiadíssimo e impecável. Adoram o “campo de batalha” e arriscam-se perigosamente contra o “inimigo” atacando-o com sua verborragia retórica das tribunas, principalmente das salas de aula, das assembléias, e do parlamento. Os medíocres “sem-tribuna” conspiram a sua “revolta” nos bares, nos restaurantes e clubes, circunscritos às “corriolas” e aos embriagados. Atualmente, atacam massivamente no mais sangrento dos “campos de batalha” – a internet. São “exércitos” e mais “exércitos” de medíocres lutando bravamente na web, mobilizando cada vez mais “guerreiros” medíocres. Todavia, a despeito de possuírem um efetivo monstruoso e do inigualável espírito “combativo”, se deparam com sua única vulnerabilidade, porém insuperável – encontrar um líder que os comande.
O final da luta da revolução fracassada contra a “vitória” da mediocridade condena o Brasil ao inescapável futuro de que “...será preciso perder, para dar valor...”. Este cenário de “metástase” não será alterado, mesmo com os ingentes e pontuais esforços dos poucos cidadãos e instituições dispostos ao “bom combate”, pois estes estão cegos pelo “pecado da ingenuidade”, achando que vencerão este “câncer” com aspirina. Se a “luz da esperança é a última que morre”, oxalá que os nobres cidadãos do país despertem da ilusão, pois para evitar o futuro infeliz é preciso lembrar que, se a derrota é o ônus da luta, a vitória também tem o seu ônus, e este é saber e aceitar que “é muito perigoso libertar quem prefere a escravidão”.

Esperança, ou ilusão ?

Esperança, ou ilusão ?
Artigo de André Soares - 26/03/2010.
A esperança é a característica humana que constitui sua maior força e sua maior fraqueza. Com a sua inspiração as pessoas são capazes de realizações e superações inimagináveis e também de se entregarem à escravidão e ao infortúnio. Como todos são movidos à esperança, afinal “a esperança é a última que morre”, aí está a essência do mais poderoso instrumento de motivação pessoal, conquanto possa ser empregado para  o bem, ou para o mal.
A esperança é a força da vida e fundamenta-se no desejo de mudança da realidade na expectativa da construção de um futuro melhor. Tanto maior essa expectativa, maior a força motivadora da esperança. Entretanto, tão crucial quanto não perder a esperança é conhecer a sua veracidade, divisor de águas entre o livre arbítrio e a manipulação.
Acreditar é o segredo.
“Você acredita em quê?”
Esta pergunta é fundamental porque só se tem esperança naquilo em que se acredita. Portanto, cuidado ao respondê-la, pois sua resposta revelará a sua maior intimidade. Acredite!
Mas, desnecessário se faz desvelar intimidades, pois a serviço da esperança estão as ideologias, conforme bem disse o poeta: “...ideologia, eu quero uma prá viver...”

Informação, conhecimento e poder

Informação, conhecimento e poder
Artigo de André Soares - 21/03/2010.

Informação e conhecimento não constituem poder. A rigor, informação e conhecimento não representam poder algum. Evidentemente que arriscar tal afirmação, especialmente na atual “era da informação e do conhecimento” em que vivemos, pode demandar risos, impropérios, parecer um despropósito, ou receber total desconsideração. Mas, nada disso muda o fato do poder ser um fenômeno que se manifesta autonomamente em relação à informação e ao conhecimento.
Para compreender melhor isto, olhe para você mesmo!
“Que poder você tem?”
O poder que eventualmente você tiver certamente não decorre do seu nível de informação, conhecimento, e nem mesmo de sua experiência.
Se informação e conhecimento demandassem poder, os intelectuais, por exemplo, seriam muito poderosos. Todavia, em geral, os intelectuais situam-se no extremo oposto em relação às pessoas com real expressão de poder. Nesse contexto, a capacidade humana de aquisição de informação e conhecimento encontra sua plenitude na sabedoria, condição esta atribuída somente a pouquíssimas personalidades da humanidade – os sábios. Porém, da mesma forma, se informação, conhecimento e experiência demandassem poder, os sábios então seriam poderosíssimos. Entretanto, vale destacar que uma evidente característica comum aos sábios é a sua inexpressividade em termos de poder.
Se informação e conhecimento demandassem poder, as escolas, academias, bibliotecas, universidades, centros de estudos e pesquisas, laboratórios, serviços de inteligência, bem como todos aqueles que operam nesses centros de excelência do saber como alunos, professores, pesquisadores, estudiosos, analistas, dirigentes de serviços de inteligência e cientistas, seriam os donos do poder. Mas, não são.
A verdade é que o poder não está nas mãos dos que sabem, porque “saber não é poder”. Basta estudar as personalidades realmente poderosas para constatar que o poder está nas mãos dos que fazem, porque “fazer é poder”. É exatamente por isso que alunos, professores, pesquisadores, estudiosos, intelectuais, analistas, dirigentes de serviços de inteligência, cientistas e sábios, enquanto nessa condição, não possuem poder algum, pois eles apenas “sabem”.
Extrapolando ao limite, significa dizer que entre a inação de um “sabedor” e a ignorância de um “fazedor”, este tem muito maior poder, pois um “sabedor” que nada faz, apenas “sabe”; enquanto que um ignorante “fazedor” tem o grande poder de fazer o que não deveria – o que geralmente ocorre.
Exemplos reais não faltam para ilustrar essa realidade, que vão do hilário ao trágico. O estereótipo da “loura burra”, a despeito de ser objeto de piadas generalizadas, representa a mulher que se enquadra no padrão do(a) ignorante “fazedor(a)”, caracterizando-se por ser, de um lado, uma mulher de pouca ou nenhuma cultura; mas, por outro, uma mulher que incorpora o esplendor da beleza estética. A resultante de tudo isso, que incomoda profundamente as outras mulheres (muito mais inteligentes, porém não tão “belas”), é que a “loura burra”, apesar de “burra”, consegue tudo o que quer, pois sendo extremamente bem-sucedida na maximização da sua beleza, se torna “poderosíssima”, como malgrado reconhecem as próprias mulheres.
Outro exemplo, mundialmente trágico, é o terrorismo – maior ameaça difusa da atualidade. Terroristas são “fazedores” por excelência e, “fazendo” ao máximo, constituem o maior temor da comunidade internacional; pois, indubitavelmente e infelizmente, terroristas têm muito poder.
Na verdade, informação e conhecimento podem representar valor inestimável em termos de poder como “potencial de poder”. Significa dizer que maior será o poder daquele que aplicar o seu saber em benefício da maximização de suas ações, sem o que toda informação e conhecimento são inúteis.
Portanto, o poder é privilégio e exclusividade dos que têm a coragem de agir com efetividade. Quando pessoas dessa natureza também são contempladas com as expertises da inteligência e do saber seu poder é digno, legitimo e absoluto.