O Diretor-Presidente de Inteligência Operacional, André Soares, revela clandestinidades perpetradas pela ABIN e ameaças pessoais que sofreu pela direção da agência, as quais foram informadas aos governantes máximos do país.
domingo, 23 de março de 2014
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Diretor-Presidente de Inteligência Operacional denunciou aos governantes do país "Clandestinidades da ABIN"
Belo Horizonte, 03 de dezembro de 2012
De: André Costa Soares - Tenente Coronel R1
Exército Brasileiro - Diretor-presidente de Inteligência Operacional
Ao:
- Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil.
- Excelentíssimo Senhor Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do Supremo Tribunal Federal
- Excelentíssimo Senhor Senador José Sarney, Presidente do Congresso Nacional.
- Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos.
Assuntos:
1) Violação do preceito constitucional da publicidade (Art
37º - Constituição da República Federativa do Brasil e Lei nº 12.527, de
18 de novembro de 2011 - “Lei de Acesso à Informação”)
2) Clandestinidades patrocinadas pela Direção-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)
- Cumprimentando a Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil; o Excelentíssimo Senhor Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do Supremo Tribunal Federal; o Excelentíssimo Senhor Senador José Sarney, Presidente do Congresso Nacional; e o Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos; e agradedecendo a deferência de vossa atenção, encaminho-vos o presente expediente, sobre os “Assuntos”, em epígrafe.
- Informo-vos que sou André Costa Soares - Tenente Coronel R1 Exército Brasileiro - Diretor-presidente de Inteligência Operacional www.inteligenciaoperacional.com , autor de obras inéditas no Brasil sobre Inteligência de Estado e Inteligência Operacional, tendo integrado os principais serviços de inteligência do país.
- Informo à Vossa Excelência que estou sendo vítima de inaceitável violação dos meus direitos constitucionais, especialmente quanto ao princípio da publicidade, em flagrante desrespeito ao ordenamento jurídico vigente, notadamente da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 (“Lei de Acesso à Informação”), primorosamente promulgada pelo nobre empenho da Excelentíssima Senhora Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, representando significativo avanço para o estado democrático de direito do país.
- Nesse contexto, informo à Vossa Excelência que protocolizei expediente de 14 de junho de 2012 (com treze páginas), no Comando da 4ª Região Militar (4ª RM) do Exército Brasileiro, requerendo por escrito acesso à informação daquele órgão público, rigorosamente conforme preconiza a “Lei de Acesso à Informação”, o qual foi reiterado várias vezes, e até a presente data não me foi prestada a referida informação pública.
- Ressalta-se, como agravante, que nesse caso em testilha ainda causa espécie e perplexidade que esteja sendo negado acesso a uma informação pública de natureza ostensiva e por demais elementar porquanto a informação pública por mim requerida e que me está sendo negada até a presente data refere-se simplesmente ao funcionamento do horário de expediente institucional daquele Grande Comando.
- Nesse mesmo contexto, informo à Vossa Excelência que, em conseqüência, também fui indiciado em Inquérito Policial Militar (IPM - EB: 64316.015033/2012-25), instaurado pelo Comandante da 4ª Região Militar (4ª RM), General de Divisão Ilídio Gaspar Filho, acusando-me do cometimento de diversos crimes e transgressões disciplinares, absolutamente inexistentes.
- Por importante, informo à Vossa Excelência que tais fatos não estão ocorrendo contra a minha pessoa por mero acaso ou coincidência, pois os mesmos decorrem não apenas da minha inarredável luta pelo respeito aos meus direitos constitucionais, mas principalmente por eu ser Diretor-presidente de Inteligência Operacional, combatendo implacavelmente a criminalidade organizada que governa os serviços secretos no Brasil, razão pela qual estou ameaçado de morte há vários anos.
- Nesse mister, informo à Vossa Excelência que no pleno gozo e exercício do meu legítimo direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, impetrei nos autos do IPM no qual sou indiciado, em 07 de novembro de 2012, expediente detalhado, com 327 (trezentos de vinte e sete) páginas, comprovando cabalmente minha total inocência e os ilícitos que denunciei, bem como apresentando ingentes clandestinidades perpetradas pela Direção-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) contra a minha pessoa e contra o estado brasileiro, com provas documentais e institucionais irrefutáveis, que constituem a genealogia das ameaças e retaliações que venho sofrendo e que também estão diretamente relacionadas aos envolvidos e às clandestinidades protagonizados pela ABIN na “Operação Satiagraha”, a serem julgadas pelo eminente Supremo Tribunal Federal (STF).
- Pelo exposto, por se tratar de escabrosa violação dos ditames constitucionais e sobre questões de relevância nacional de ingente gravidade da atual conjuntura, relativas ao desvirtuamento da atuação da ABIN, que são completamente desconhecidas pelos governantes e a sociedade brasileira, informo-vos que em obediência ao meu absoluto compromisso com a legalidade e a ética encaminhei também e tempestivamente o meu referido expediente à Vossa Excelência e às autoridades federais abaixo discriminadas, para o devido conhecimento, o que fiz oficialmente, em 07 de novembro de 2012, por intermédio do Comandante da 4ª Região Militar (4ª RM), General de Divisão Ilídio Gaspar Filho:
1. Presidente(a) da República2. Presidente do Congresso Nacional3. Presidente do Supremo Tribunal Federal4. Procurador-Geral da República do Ministério Público Federal - Renovando meus cumprimentos à Vossa Excelência, permaneço à vossa disposição na defesa dos princípios constitucionais e do estado democrático de direito vigente no país, como também para a rigorosa apuração dos fatos apresentados, em nome da verdade e da justiça.
Atenciosamente.
André Costa Soares.
Tenente Coronel R1 Exército Brasileiro
Diretor-presidente de Inteligência
Operacional
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Para que serve a ABIN?
Artigo de André Soares - 26/06/2013
Contudo, assim como “o
pior não tem limite”, a incompetência da ABIN também não tem. Porque a
ineficiência do principal serviço secreto do país chegou ao cúmulo de não
conseguir prever e antecipar tempestivamente à presidência da república a onda
de manifestações populares que eclodiram recentemente em todo o Brasil e que, a
despeito da sua legitimidade, vem sendo infiltrada por diversos grupos
criminosos, realizando graves contingências à segurança pública.
Parece inacreditável, mas a ABIN, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), mesmo com todo o seu orçamento e aparato nacional de inteligência à sua disposição, bem como com sua legião de arapongas espalhados por todo o país, empregando as técnicas operacionais mais sigilosas dos serviços secretos, não antecipou oportunamente à presidenta Dilma Rousseff sobre a recente onda de manifestações populares, que vem reunindo centenas de milhares de pessoas, as quais não foram planejadas em sigilo, mas sim espontaneamente e ostensivamente em todos os meios de comunicação, especialmente nas principais redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.
Ou seja, a ABIN não antecipou o escandalosamente óbvio, que o Brasil e toda a sociedade sabiam. Aliás, para saber sobre a eclosão dessa importante realidade nacional, bastava aos dirigentes da ABIN conversarem com seus próprios filhos que, assim como milhares de jovens brasileiros, certamente sabiam como participaram desses eventos.
Contudo, a principal pergunta que mais incomoda os governantes do país não é “Para que serve a ABIN?”, mas “O que fazer com a ABIN?”.
Parece inacreditável, mas a ABIN, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), mesmo com todo o seu orçamento e aparato nacional de inteligência à sua disposição, bem como com sua legião de arapongas espalhados por todo o país, empregando as técnicas operacionais mais sigilosas dos serviços secretos, não antecipou oportunamente à presidenta Dilma Rousseff sobre a recente onda de manifestações populares, que vem reunindo centenas de milhares de pessoas, as quais não foram planejadas em sigilo, mas sim espontaneamente e ostensivamente em todos os meios de comunicação, especialmente nas principais redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.
Ou seja, a ABIN não antecipou o escandalosamente óbvio, que o Brasil e toda a sociedade sabiam. Aliás, para saber sobre a eclosão dessa importante realidade nacional, bastava aos dirigentes da ABIN conversarem com seus próprios filhos que, assim como milhares de jovens brasileiros, certamente sabiam como participaram desses eventos.
Contudo, a principal pergunta que mais incomoda os governantes do país não é “Para que serve a ABIN?”, mas “O que fazer com a ABIN?”.
“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
(Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)
domingo, 9 de junho de 2013
General da ditadura tem filho na Abin
Publicação: 09/06/2013 07:00 Atualização: 09/06/2013 07:39
João Valadares
Brasília – O atual diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ronaldo Martins Belham, com acesso direto, pela natureza do cargo que ocupa, a informações que ainda não vieram à tona sobre desaparecidos políticos da ditadura, é filho do general da reserva José Antônio Nogueira Belham. O militar era o chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro na época em que o ex-deputado federal Rubens Paiva foi assassinado, em 1971, após ser preso e levado para o departamento. Ao saber da informação por meio da reportagem, o filho de Rubens Paiva, o escritor Marcelo Rubens Paiva, afirmou que a relação de parentesco entre o número 2 da Abin e o general da reserva causa estranheza e extremo desconforto para a família. "O governo brasileiro precisa saber o que quer de verdade", disse.
O temor de Marcelo Rubens Paiva é de que, pela função de destaque que Ronaldo Martins Belham ocupa na Abin, ocorra algum tipo de filtragem institucional ou até obstaculação de informações essenciais que podem ajudar a desvendar a verdade histórica em relação à morte do pai. O corpo nunca apareceu. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o DOI-Codi do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido.
A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971. "Imagine um dos filhos do Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Adolf Hitler) com a chave de todos os arquivos de Nuremberg nas mãos. Sei que o general Belham ficou com os cadernos de anotações do meu pai. Há documentos que comprovam isso. Precisa ser investigado. Causa-me desconforto e estranheza saber que ele (Ronaldo) é filho do general Belham, mesmo que seja isento. Como, numa posição de destaque da Abin, ele vai facilitar a revelação de informações secretas que comprometam o pai?", questiona Marcelo Rubens Paiva.
Muitos dos quadros da Agência Brasileira de Inteligência, criada em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, são militares remanescentes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Ronaldo Martins Belham ingressou no SNI na década de 1980, antes da criação da Abin e do primeiro concurso do órgão, em 1999. Ronaldo Belham chegou ao posto de número 2 da agência em setembro de 2009, durante o governo Lula. Antes, era chefe da Divisão de Pessoal da Abin. Ele chegou a ser cogitado para comandar a agência pela proximidade que o pai tinha com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional na época, Jorge Félix.
ACERVO DE MAIS DE 1 MILHÃO DE PÁGINAS
A Abin guardava, apenas em relação ao período compreendido entre 1964 e 1990, mais de 132 metros lineares de documentos sobre a ditadura, que englobam mais de 1 milhão de páginas. Ainda existem mais 220 mil unidades de microfichas encaminhadas pela Abin para digitalização no Rio de Janeiro. Todos os documentos foram encaminhados ao Arquivo Nacional, em Brasília.
"O sadismo reinava no DOI-Codi do Rio de Janeiro. Lá, tinha uma famosa geladeira e até uma cobra. Era um horror. Como o filho dele (general Belham) está na ponta da Abin? E não estou falando apenas como o filho de Rubens Paiva. Estou falando como um cidadão brasileiro. Não queremos revanchismo, mas é preciso que as pessoas venham a público. São crimes contra a humanidade que foram praticados", ressalta Marcelo Rubens Paiva.
A reportagem tentou entrar em contato com o general da reserva Belham, mas não conseguiu. Uma mulher, que não se identificou, atendeu o telefone celular e informou que o militar aposentado estaria viajando. Uma ex-cunhada, que mora no Rio de Janeiro, atestou que José Antonio Nogueira Belham está vivo, com 79 anos, e mora num apartamento em Brasília. Ela disse não ter mais contato com ele. A reportagem também tentou, em várias ocasiões, ouvir Ronaldo Martins Belham por meio da assessoria de imprensa da Abin, mas não foi possível. Ele foi informado do conteúdo da reportagem.
Até novembro de 2010, o militar ocupava o cargo de vice-presidente da Fundação Habitacional do Exército, responsável pelo controle da Associação de Poupança e Empréstimo, a Poupex. Ele foi exonerado pelo comandante do Exército, general Enzo Peri, por supostamente ter destratado viúvas de oficiais mortos no terremoto no Haiti, no início de 2010.
O ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, que integra a Comissão Nacional da Verdade e acompanha de perto o caso Rubens Paiva, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não falaria sobre o fato de o filho do general Belham ser o diretor-adjunto da Abin. Ele alegou que vários documentos ainda estão sendo investigados.
Na época em que a Polícia Civil gaúcha localizou papéis inéditos na casa de Molina, Fonteles afirmou categoricamente à imprensa que Rubens Paiva foi morto no DOI-Codi do Rio de Janeiro. “A prova documental é muito forte. Ela vem do próprio sistema ditatorial militar com a tarja de secreto. Para mim, está esclarecido. Só falta pontuar quem foi que matou. Quem matou, você não tenha a menor dúvida, foi o Estado ditatorial militar. Agora, alguém deu um tiro, alguém deu socos. Só falta saber o nome”, disse, no início do ano. (Colaborou Adriana Bernardes)
O temor de Marcelo Rubens Paiva é de que, pela função de destaque que Ronaldo Martins Belham ocupa na Abin, ocorra algum tipo de filtragem institucional ou até obstaculação de informações essenciais que podem ajudar a desvendar a verdade histórica em relação à morte do pai. O corpo nunca apareceu. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o DOI-Codi do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido.
A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971. "Imagine um dos filhos do Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Adolf Hitler) com a chave de todos os arquivos de Nuremberg nas mãos. Sei que o general Belham ficou com os cadernos de anotações do meu pai. Há documentos que comprovam isso. Precisa ser investigado. Causa-me desconforto e estranheza saber que ele (Ronaldo) é filho do general Belham, mesmo que seja isento. Como, numa posição de destaque da Abin, ele vai facilitar a revelação de informações secretas que comprometam o pai?", questiona Marcelo Rubens Paiva.
Muitos dos quadros da Agência Brasileira de Inteligência, criada em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, são militares remanescentes do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Ronaldo Martins Belham ingressou no SNI na década de 1980, antes da criação da Abin e do primeiro concurso do órgão, em 1999. Ronaldo Belham chegou ao posto de número 2 da agência em setembro de 2009, durante o governo Lula. Antes, era chefe da Divisão de Pessoal da Abin. Ele chegou a ser cogitado para comandar a agência pela proximidade que o pai tinha com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional na época, Jorge Félix.
ACERVO DE MAIS DE 1 MILHÃO DE PÁGINAS
A Abin guardava, apenas em relação ao período compreendido entre 1964 e 1990, mais de 132 metros lineares de documentos sobre a ditadura, que englobam mais de 1 milhão de páginas. Ainda existem mais 220 mil unidades de microfichas encaminhadas pela Abin para digitalização no Rio de Janeiro. Todos os documentos foram encaminhados ao Arquivo Nacional, em Brasília.
"O sadismo reinava no DOI-Codi do Rio de Janeiro. Lá, tinha uma famosa geladeira e até uma cobra. Era um horror. Como o filho dele (general Belham) está na ponta da Abin? E não estou falando apenas como o filho de Rubens Paiva. Estou falando como um cidadão brasileiro. Não queremos revanchismo, mas é preciso que as pessoas venham a público. São crimes contra a humanidade que foram praticados", ressalta Marcelo Rubens Paiva.
A reportagem tentou entrar em contato com o general da reserva Belham, mas não conseguiu. Uma mulher, que não se identificou, atendeu o telefone celular e informou que o militar aposentado estaria viajando. Uma ex-cunhada, que mora no Rio de Janeiro, atestou que José Antonio Nogueira Belham está vivo, com 79 anos, e mora num apartamento em Brasília. Ela disse não ter mais contato com ele. A reportagem também tentou, em várias ocasiões, ouvir Ronaldo Martins Belham por meio da assessoria de imprensa da Abin, mas não foi possível. Ele foi informado do conteúdo da reportagem.
Até novembro de 2010, o militar ocupava o cargo de vice-presidente da Fundação Habitacional do Exército, responsável pelo controle da Associação de Poupança e Empréstimo, a Poupex. Ele foi exonerado pelo comandante do Exército, general Enzo Peri, por supostamente ter destratado viúvas de oficiais mortos no terremoto no Haiti, no início de 2010.
O ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles, que integra a Comissão Nacional da Verdade e acompanha de perto o caso Rubens Paiva, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não falaria sobre o fato de o filho do general Belham ser o diretor-adjunto da Abin. Ele alegou que vários documentos ainda estão sendo investigados.
Na época em que a Polícia Civil gaúcha localizou papéis inéditos na casa de Molina, Fonteles afirmou categoricamente à imprensa que Rubens Paiva foi morto no DOI-Codi do Rio de Janeiro. “A prova documental é muito forte. Ela vem do próprio sistema ditatorial militar com a tarja de secreto. Para mim, está esclarecido. Só falta pontuar quem foi que matou. Quem matou, você não tenha a menor dúvida, foi o Estado ditatorial militar. Agora, alguém deu um tiro, alguém deu socos. Só falta saber o nome”, disse, no início do ano. (Colaborou Adriana Bernardes)
Presidente da Comissão da Verdade quer demissão da Abin de filho de general
Publicação: 09/06/2013 11:45 Atualização: 09/06/2013 12:41
O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous defendeu neste domingo (9/6) a demissão do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ronaldo Martins Belham por suas ligações familiares com o general da reserva José Antonio Nogueira Belham. O seu pai foi chefe do DOI-CODI do Rio de Janeiro na época em que ex-deputado-federal Rubens Paiva foi assassinado, em 1971, após ser preso e levado para o departamento.
Segundo Damous, a nomeação de Ronaldo Belham para cargo de diretoria da Abin é, no mínimo, inconveniente. "Ainda que ele nada tenha a ver com os episódios, hoje sob investigação, de torturas e desaparecimentos ocorridos à época da ditadura, a sua suspeição é evidente pelas funções que exerce atualmente". O filho do ex-chefe do DOI-CODI, detém o poder de filtrar e impedir que informações que receba daquele período venham a público, tendo em vista que o seu pai, sem sombra de dúvidas, está envolvido naqueles episódios.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o DOI-CODI do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido. A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o DOI-CODI do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido. A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971.
Família teme obstáculos na apuração sobre morte do ex-deputado Rubens Paiva
Fonte: Jornal Correio Braziliense
Publicação: 09/06/2013 07:56 Atualização: 09/06/2013 07:54
O atual diretor adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ronaldo Martins Belham, com acesso direto, pela natureza do cargo que ocupa, a informações que ainda não vieram à tona sobre desaparecidos políticos da ditadura, é filho do general da reserva José Antônio Nogueira Belham. O militar era o chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro na época em que ex-deputado-federal Rubens Paiva foi assassinado, em 1971, após ser preso e levado para o departamento. Ao saber da informação por meio do Correio, o filho de Rubens Paiva, o escritor Marcelo Rubens Paiva, afirmou que a relação de parentesco entre o número 2 da Abin e o general da reserva causa estranheza e extremo desconforto para a família. “O governo brasileiro precisa saber o que quer de verdade”, disse.
Leia mais notícias em Política
O temor de Marcelo Rubens Paiva é de que, pela função de destaque que Ronaldo Martins Belham ocupa na Abin, ocorra algum tipo de filtragem institucional ou até obstaculação de informações essenciais que podem ajudar a desvendar a verdade histórica em relação à morte do pai. O corpo nunca apareceu. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o Doi-Codi do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido.
A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971. “Imagine um dos filhos do Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Adolf Hitler) com a chave de todos os arquivos de Nuremberg nas mãos. Sei que o general Belham ficou com os cadernos de anotações do meu pai. Há documentos que comprovam isso. Precisa ser investigado. Causa-me desconforto e estranheza saber que ele (Ronaldo) é filho do general Belham, mesmo que seja isento. Como, numa posição de destaque da Abin, ele vai facilitar a revelação de informações secretas que comprometam o pai?”, questiona Marcelo Rubens Paiva.
Leia mais notícias em Política
O temor de Marcelo Rubens Paiva é de que, pela função de destaque que Ronaldo Martins Belham ocupa na Abin, ocorra algum tipo de filtragem institucional ou até obstaculação de informações essenciais que podem ajudar a desvendar a verdade histórica em relação à morte do pai. O corpo nunca apareceu. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) já publicou documento em que atesta que o general Belham recebeu, quando chefiava o Doi-Codi do Rio de Janeiro, dois cadernos de anotações que pertenciam a Rubens Paiva. O nome de Belham aparece escrito de caneta na folha amarelada como o responsável por receber o material. O subcomandante era o major Francisco Demiurgo Santos Cardoso. O documento que desmontou a versão do Exército foi encontrado, no fim do ano passado, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na casa do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas, já falecido.
A CNV tenta localizar o general da reserva Belham para que ele possa ser ouvido e explicar as circunstâncias da madrugada de 20 de janeiro de 1971. “Imagine um dos filhos do Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Adolf Hitler) com a chave de todos os arquivos de Nuremberg nas mãos. Sei que o general Belham ficou com os cadernos de anotações do meu pai. Há documentos que comprovam isso. Precisa ser investigado. Causa-me desconforto e estranheza saber que ele (Ronaldo) é filho do general Belham, mesmo que seja isento. Como, numa posição de destaque da Abin, ele vai facilitar a revelação de informações secretas que comprometam o pai?”, questiona Marcelo Rubens Paiva.
Assinar:
Postagens (Atom)



