Dia em
que o Tenente-coronel André Soares recebeu do Diretor-Geral da Agência
Brasileira de Inteligência, em reunião sigilosa da ABIN, vergonhoso
pedido oficial de desculpas pelas ilicitudes da agência.
“Deixe a vida me levar!” é provavelmente a mais famosa das canções do consagrado cantor Zeca Pagodinho, considerado o “rei do samba” no Brasil, que retrata e incorpora magistralmente faceta da mentalidade prevalente na sociedade brasileira, razão do seu estrondoso sucesso. Contudo, e a despeito do inigualável e inegável valor artístico desta canção, com a mais respeitosa vênia ao ilustre compositor e a todos os seus fãs e admiradores, os ensinamentos desta música constituem uma péssima filosofia de vida, não apenas àqueles que almejam uma vida próspera e alvissareira, como também às nações que auspiciam o progresso, a soberania, a paz e o bem-estar social. Porquanto professá-la é perpetrar contra si mesmo uma “roleta russa”. Ou seja, um suicídio anunciado.
Como é cediço, todas as pessoas, sem exceção, seguem uma filosofia de vida, mesmo sem ter consciência disso. Porque tanto o ato de viver como o de simplesmente existir nesse mundo requer um objetivo. Ou seja, um propósito. Aliás, você sabe qual é o propósito da sua vida? Porque o propósito do Brasil, como nação, está ostentado explicitamente em sua bandeira nacional: ordem e progresso. Todavia, para a consecução do propósito de vida, tanto das pessoas quanto das nações, é necessário ter-se uma estratégia, a qual se fundamenta numa doutrina orientadora que é a filosofia de vida. Ou seja, o propósito de vida é o objetivo e a motivação para se viver, a filosofia de vida é a teoria para alcançá-lo, e a estratégia de vida é o “modus operandi” adotado.
Assim, qual é a estratégia de vida decorrente da doutrina filosófica “deixe a vida me levar”? A resposta, no caso brasileiro, é consequentemente o conhecido “modus operandi” do “jeitinho brasileiro”, que é essa abjeta subcultura nacional que vem desde a formação da nacionalidade, incorporada ao seu DNA e racionalizada como orgulho nacional, razão pelo qual o Brasil é reconhecido internacionalmente por não ser um “país sério”.
E qual é o fatídico destino que essa errática filosofia de vida conduzirá seus milhões de seguidores pusilânimes, que voluntariamente abdicaram do exercício do livre arbítrio e do comando de suas próprias vidas, para confiá-la plenamente aos desígnios do acaso? A resposta é simples: o caos. E o generalizado colapso brasileiro é um infeliz exemplo disso.
Ademais, não há nenhuma outra espécie viva na face da terra, nem animal e nem vegetal, que “se deixa levar pela vida”; a não ser esses milhões de incautos que se autoenganam com esse engodo. Portanto, àqueles que almejam uma vida próspera e alvissareira e às nações que auspiciam o progresso, a soberania, a paz e o bem-estar social não resta outra filosofia de vida que não seja pelo culto ao firme enfrentamento dos óbices da vida, no sentido de vencer obstáculos e construir com muita luta, dedicação e perseverança o seu próprio destino, buscando conduzir a vida ao encontro da satisfação de suas necessidades e interesses.
De resto, e reiterando minha mais respeitosa vênia aos que pensem diferentemente, que a verdadeira sabedoria e o legítimo amor à arte saibam diferenciar a inegável beleza desta canção da sua suicida filosofia de vida.
O consenso geral na atual conjuntura, especialmente entre os jovens, vem sendo contaminado pelo discurso insidioso propalado por midiáticos e televisivos sexólogos(as) e outros “especialistas”, disseminando efusivamente aos incautos que no amor e no sexo vale tudo; sob o engodo de que, havendo consentimento mútuo entre os casais, tudo entre eles deve ser permitido. Portanto, se você é um(a) desses idiotas que pensam e se comportam assim: cuidado! Porque, com a mais respeitosa vênia, posso afiançar que sua vida é e continuará a ser uma “zerda”, ou coisa muito pior! Pois, a verdade verdadeira é que não vale tudo no amor e no sexo. Porque em absolutamente nada na vida, vale tudo. Nem na guerra vale tudo. A vida não é um vale-tudo.
A propósito, destaque-se que “Vale-tudo” é a denominação de uma das mais violentas modalidades de combate de artes marciais, que admite todos os estilos de luta, e que foi muito difundida no Brasil, inicialmente pelos irmãos Gracie. E mesmo nas lutas sangrentas do “Vale-tudo” não vale tudo. Nessa mesma linha, lembremos também a famosa e dançante canção “Vale Tudo”, interpretada pelo irreverente e inigualável Tim Maia, que contrariando seu próprio título, ressalta que não vale tudo na vida. Ou, como diz a canção:
Só não vale dançar homem com homem,
Nem mulher com mulher,
O resto vale...
Nesse sentido, destaca-se a sabedoria do filósofo Aristóteles, que profetizou, desde o século III A.C., que “o ser humano é um animal social”; demonstrando assim a importância vital do salutar relacionamento humano e social para a sobrevivência do indivíduo e a perpetuação da nossa espécie. E isso inexoravelmente somente se edifica a partir do estabelecimento de regras e normas de conduta, em todos os níveis e searas do relacionamento humano, sem exceção. Portanto, quanto mais auspiciosa, próspera, saudável e feliz for uma relação interpessoal entre casais, social entre indivíduos, ou política entre cidadãos, mais fortemente rígida será a sua estruturação em valores, paradigmas, normas de conduta, leis, e acima de tudo códigos de ÉTICA.
Assim, não desperdice sua vida acreditando na mentira de que “vale tudo” no amor, no sexo, ou que “vale tudo” em seja lá o que for. Porque “o difícil é saber o que é certo. Mas, quando se sabe o que é certo, o difícil é não o fazer” (André Soares).