quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SOS - Inteligência Nacional

Artigo de André Soares - 24/07/2012
Uma grave realidade da atual conjuntura nacional é que o Brasil está vulnerável à atuação de organizações clandestinas internacionais, especialmente à ação adversa de serviços de inteligência estrangeiros e grupos terroristas. Isso porque os governantes encobrem da sociedade que a Inteligência de Estado no Brasil está na UTI, em estado gravíssimo, devido à ineficiência e desvirtuamento dos seus serviços secretos. A sociedade brasileira também desconhece que a Inteligência nacional está completamente fora de controle do estado constituído, protagonizando impunemente a gênese de ingentes escândalos, crimes e tragédias, atentatórios ao estado democrático de direito vigente e à soberania nacional. Não por acaso, o Brasil sofre atualmente a eclosão da pior crise institucional de inteligência de sua história, incipientemente revelada no festival de clandestinidades da Operação Satiagraha, em 2008, patrocinadas pela direção-geral e toda a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).
“Não imaginei que havia criado um monstro” foram as célebres palavras de arrependimento proferidas pelo General Golbery do Couto e Silva, ante à degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado pela lei 4.341, de 13 de junho de 1964, do qual foi um dos principais idealizadores, e que culminou com sua extinção no governo Fernando Collor de Melo. Como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados ressuscitou no Brasil o fantasma do antigo SNI, instituindo no país a ABIN, pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN). Com pouco mais de uma década de existência, a história da ABIN se caracteriza por sua generalizada ineficiência, contaminando todo SISBIN e por uma sucessão de escândalos e crises institucionais de âmbitos nacional e internacional, cujas danosas consequências implicaram a exoneração de vários de seus diretores-gerais.
Se por um lado é incontestável a importância da Inteligência no contexto do estado constituído, no caso brasileiro há muito por fazer e os desafios são muitos. A começar pela promulgação de uma Política Nacional de Inteligência, pois a sua inexistência fomenta o desvirtuamento dessa atividade; a revisão e aperfeiçoamento dos nossos diplomas legais, começando pela embrionária e equivocada Lei 9883, que cria a ABIN; a estruturação de um verdadeiro e legítimo sistema nacional de inteligência, que prime pela ética e legalidade de suas ações, congregando os poderes da república, ministério público e entes federativos; a ruptura da “caixa preta” dos serviços de inteligência nacionais, cuja prestação de contas deve submeter-se impiedosamente ao princípio constitucional da publicidade; a renovação dos cargos de direção da ABIN e SISBIN, dominados pela “comunidade de inteligência”; e a responsabilização direta, funcional e criminal de todos os operadores de inteligência pelo seu desempenho, a começar pelos dirigentes máximos desses serviços.
Nesse mister, vale ressaltar a firme decisão da presidenta Dilma Rousseff ao promulgar a Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011, instaurando a “Comissão da Verdade”, para resgatar o nosso recente passado histórico. Todavia, resta saber se nossa presidenta terá a coragem e a força que faltaram aos seus predecessores para vencer a “comunidade de inteligência” que governa os serviços secretos do país. Porque é do maior interesse nacional que a “Comissão da Verdade” estenda seus trabalhos investigando também as clandestinidades cometidas pela ABIN e o SISBIN, que encobrem verdades proibidas sobre a história do Brasil.
Esta magnânima contribuição seria um alvissareiro momento histórico no país, em seu fortalecimento como estado de direito e engrandecimento como nação democrática. Inaugurar-se-ia, assim, uma nova e eficiente Inteligência nacional, salvaguardando o estado brasileiro de vitimar-se com os crimes protagonizados por serviços secretos nacionais desvirtuados, como na Satiagraha; evitando também que o Brasil volte a sofrer atentados à soberania nacional, como a explosão do foguete brasileiro VLS-1, no Centro de Lançamento de Alcântara/MA, em 2003, que além dos incalculáveis prejuízos causados ao nosso estratégico projeto aeroespacial, assassinou impunemente 21 cidadãos brasileiros.
“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
 (Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

Os novos desafios da Inteligência de Estado no Brasil

Os novos desafios da Inteligência de Estado no Brasil
Artigo de André Soares - 15/04/2012
 
  
“Não imaginei que havia criado um monstro” foram as célebres palavras de arrependimento proferidas pelo General Golbery do Couto e Silva ante a degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado pela lei 4.341, de 13 de junho de 1964, que culminou com sua extinção no governo Fernando Collor de Melo e do qual foi um dos principais idealizadores. Como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados ressuscitou no Brasil o fantasma do antigo SNI, instituindo no país a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN); divorciando a inteligência brasileira das sábias palavras do coronel Walther Nicolai, chefe do serviço de inteligência do chanceler Bismarck, que profetizou: “A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
Com pouco mais de uma década de existência, a história da ABIN se caracteriza por sua escandalosa e generalizada ineficiência, contaminando o SISBIN e por uma sucessão de escândalos e crises institucionais de âmbitos nacional e internacional, cujas danosas conseqüências implicaram a exoneração de vários de seus diretores-gerais, ao longo dos governos FHC e Lula. Atualmente, o Brasil sofre a maior e pior crise institucional de inteligência sem precedentes na sua história, incipientemente desvelada à sociedade no festival de clandestinidades da Operação Satiagraha, criminosamente patrocinadas pela direção-geral e toda a cúpula da ABIN, em 2008.
Contudo, no epicentro desse caos que vive a Inteligência de Estado no Brasil, a ABIN e o SISBIN continuam uma "caixa preta" invencível, sem controle, em flagrante atentado contra o estado democrático de direito vigente, obscuramente protegida pela impunidade, inação e esquecimento de nossos governantes sobre seus crimes praticados contra o estado brasileiro, cujos culpados nunca foram responsabilizados; e sob a cumplicidade dos órgãos de controle, dos poderes executivo, legislativo, judiciário e do ministério público.
Se por um lado é incontestável a importância da Inteligência no contexto do estado constituído, já alardeada à humanidade desde a antiguidade e nos ensinamentos de Sun Tzu, a grave realidade que aflige o país é que a principal estrutura do seu sistema imunológico se degenerou numa grave doença cancerígena. Destarte, urge à sociedade se contrapor ante esse intolerável estado de coisas que assola a Inteligência de Estado no Brasil porquanto piores contingências ainda acometerão os desígnios do país, decorrentes da corrupção que domina nossos serviços de inteligência e que desconhecidamente está na gênese dos mais vergonhosos escândalos e tragédias nacionais.
Portanto, há muito por fazer e os novos desafios são muitos. A começar pela promulgação de uma Política Nacional de Inteligência, pois a sua inexistência fomenta o desvirtuamento dessa atividade; a revisão e aperfeiçoamento dos nossos diplomas legais, começando pela embrionária e equivocada Lei 9883, que cria a ABIN; a estruturação de um verdadeiro e legítimo sistema nacional de inteligência, que prime pela ética e legalidade de suas ações, congregando os poderes da república, ministério público e entes federativos; a ruptura da “caixa preta” dos serviços de inteligência nacionais, cuja prestação de contas deve submeter-se impiedosamente ao princípio constitucional da publicidade; a renovação dos cargos de direção da ABIN, dominados pelos apaniguados da “comunidade de inteligência”, que se perpetua subjugando nossos governantes pusilânimes sob o temor da ameaça de um pseudo poder retaliador; e a responsabilização direta, funcional e criminal de todos os operadores de inteligência pelo seu desempenho, a começar pelos dirigentes máximos dos serviços de inteligência.
Que a firme decisão da presidenta Dilma Rousseff ao promulgar a Lei 12.527, de 18 de novembro de 2011 que regula o acesso a informações previsto na Constituição Federal, e sua determinação presidencial de instaurar a “Comissão da Verdade” para resgatar o nosso recente e perdido passado histórico, seja o ensejo corajoso e auspicioso que faltou aos seus predecessores para exterminar definitivamente a “monstruosidade” que governa os serviços de inteligência nacionais, inaugurando uma nova e eficiente Inteligência de Estado no Brasil, que seja verdadeiramente apanágio dos nobres e dignos cidadãos brasileiros.

A "Força Divina"

Artigo de André Soares - 22/03/2012

Acreditar, ou não, em Deus é uma escolha individual que deve ser plenamente respeitada visto que cada pessoa tem o direito de acreditar, ou não, no que quiser. Nesse mister, recomenda-se por importante precaução cognoscente confirmar-se cabalmente a real existência do eventual objeto de fé porquanto acreditar naquilo que não existe, além de constituir um ato de ignóbil estupidez, é um irrecuperável desperdício de vida.
No caso específico de Deus, há que se reconhecer que sua existência está cada vez mais improvável; principalmente porque Ele, caso existisse, certamente já teria encerrado essa celeuma milenar, apresentando-se voluntariamente e inequivocamente a toda humanidade. Dessa forma, Ele poderia inclusive nos antecipar a data da sua apresentação porque a humanidade irmanada transformaria esse especial momento no maior carnaval do planeta, com muita festa, alegria, samba, axé, micareta, frevo, forró, rock’n roll, muita bebida (“se beber não dirija, se dirigir não beba”), muito amor, muito sexo (mas, cuidado! faça sexo seguro: “use camisinha, sempre!”; inclusive com seu cônjuge, ou grande amor, porque atualmente é ainda menos pior a dor da perda de um relacionamento ao duplo sofrimento pela perda também da própria saúde). E, é claro, comemoraríamos também a vinda d’Ele com muito gospel, muito louvor, reza e oração; e evidentemente muito dízimo à Igreja do Senhor.
Contudo, como Deus nunca nos falou diretamente – lembrando que “quem se cala, consente”; e como Ele nunca se manifestou pessoalmente a nós – lembrando que “aquilo que não existe, evidentemente não se manifesta”; conseqüentemente, o mais provável é que Deus realmente... digamos... não esteja muito preocupado com a sua própria existência.
Todavia, considerações sobre a existência de Deus à parte, uma coisa indubitavelmente e inexoravelmente existe nesse mundo – a “Força Divina”.
Sou testemunha viva da existência e do poder indestrutível e avassalador da “Força Divina”, cujo fenômeno é tão exterminador, quanto inexplicável. Todavia, diferentemente de Deus, a “Força Divina” manifesta-se autenticamente, revelando-se ostensivamente com a sua assinatura inconfundível – a destruição de inimigos.
Quais inimigos?
Os inimigos de certas “pessoas” e “organizações”.
Que “pessoas” e “organizações”?
Essa é a principal questão sobre a ação da “Força Divina”, pois ela somente destrói os inimigos de "pessoas" e “organizações” especialíssimas na luta pelo bem comum, realizando “missões impossíveis”, mas são completamente desconhecidas.
É isso mesmo! Ninguém sabe quem elas são. É como se elas simplesmente não existissem. Na verdade, elas têm o poder de “desacontecer”.
Sabe-se apenas que a “Força Divina” as protege, representando a “Força da Justiça” que sempre prevalece contra o mal. Porque “aqui se faz, aqui se paga”. Assim, seus inimigos sempre serão destruídos, cairão em desgraça. E da pior maneira possível.
Portanto, se você tem o direito de acreditar, ou não, no que quiser; e o livre arbítrio de fazer, ou não, o que desejar; tome muito cuidado para não ferir os ditames da legalidade e da ética pelos quais esses guardiões silentes sacrificam-se heroicamente. E muito menos se insurja contra eles, ou até mesmo se interponha em seu caminho. Porque esses entes nada farão contra você; mas saiba que a “Força Divina” será implacável e te destruirá. E você ainda sofrerá e muito. Nisso, você pode seguramente acreditar.

A "Força Divina"

Artigo de André Soares - 22/03/2012

Acreditar, ou não, em Deus é uma escolha individual que deve ser plenamente respeitada visto que cada pessoa tem o direito de acreditar, ou não, no que quiser. Nesse mister, recomenda-se por importante precaução cognoscente confirmar-se cabalmente a real existência do eventual objeto de fé porquanto acreditar naquilo que não existe, além de constituir um ato de ignóbil estupidez, é um irrecuperável desperdício de vida.
No caso específico de Deus, há que se reconhecer que sua existência está cada vez mais improvável; principalmente porque Ele, caso existisse, certamente já teria encerrado essa celeuma milenar, apresentando-se voluntariamente e inequivocamente a toda humanidade. Dessa forma, Ele poderia inclusive nos antecipar a data da sua apresentação porque a humanidade irmanada transformaria esse especial momento no maior carnaval do planeta, com muita festa, alegria, samba, axé, micareta, frevo, forró, rock’n roll, muita bebida (“se beber não dirija, se dirigir não beba”), muito amor, muito sexo (mas, cuidado! faça sexo seguro: “use camisinha, sempre!”; inclusive com seu cônjuge, ou grande amor, porque atualmente é ainda menos pior a dor da perda de um relacionamento ao duplo sofrimento pela perda também da própria saúde). E, é claro, comemoraríamos também a vinda d’Ele com muito gospel, muito louvor, reza e oração; e evidentemente muito dízimo à Igreja do Senhor.
Contudo, como Deus nunca nos falou diretamente – lembrando que “quem se cala, consente”; e como Ele nunca se manifestou pessoalmente a nós – lembrando que “aquilo que não existe, evidentemente não se manifesta”; conseqüentemente, o mais provável é que Deus realmente... digamos... não esteja muito preocupado com a sua própria existência.
Todavia, considerações sobre a existência de Deus à parte, uma coisa indubitavelmente e inexoravelmente existe nesse mundo – a “Força Divina”.
Sou testemunha viva da existência e do poder indestrutível e avassalador da “Força Divina”, cujo fenômeno é tão exterminador, quanto inexplicável. Todavia, diferentemente de Deus, a “Força Divina” manifesta-se autenticamente, revelando-se ostensivamente com a sua assinatura inconfundível – a destruição de inimigos.
Quais inimigos?
Os inimigos de certas “pessoas” e “organizações”.
Que “pessoas” e “organizações”?
Essa é a principal questão sobre a ação da “Força Divina”, pois ela somente destrói os inimigos de "pessoas" e “organizações” especialíssimas na luta pelo bem comum, realizando “missões impossíveis”, mas são completamente desconhecidas.
É isso mesmo! Ninguém sabe quem elas são. É como se elas simplesmente não existissem. Na verdade, elas têm o poder de “desacontecer”.
Sabe-se apenas que a “Força Divina” as protege, representando a “Força da Justiça” que sempre prevalece contra o mal. Porque “aqui se faz, aqui se paga”. Assim, seus inimigos sempre serão destruídos, cairão em desgraça. E da pior maneira possível.
Portanto, se você tem o direito de acreditar, ou não, no que quiser; e o livre arbítrio de fazer, ou não, o que desejar; tome muito cuidado para não ferir os ditames da legalidade e da ética pelos quais esses guardiões silentes sacrificam-se heroicamente. E muito menos se insurja contra eles, ou até mesmo se interponha em seu caminho. Porque esses entes nada farão contra você; mas saiba que a “Força Divina” será implacável e te destruirá. E você ainda sofrerá e muito. Nisso, você pode seguramente acreditar.

Esperança, ou ilusão? – II

“Feliz Ano Novo!..Feliz Vida Nova... ou...Feliz nova "vida velha"?"
Artigo de André Soares - 28/12/2011.


 
A cada dia as pessoas prometem a si mesmas que mudarão suas vidas e realizarão tudo o que sempre desejaram, pois seus sonhos ainda não aconteceram. Assim, os dias vão se passando...passando...passando...e, evidentemente, nada acontece. Até que o final do ano acontece porque, como o final de tudo sempre acontece, este foi mais um ano que se perdeu esperando a vida acontecer. Nesse momento, as pessoas são abruptamente acometidas por um sentimento misto de desespero e esperança. Desespero pela certeza de que a contagem regressiva de suas vidas está cada vez menor e que o seu fim está cada vez mais próximo, misturado numa histérica e frágil esperança de que suas vidas acontecerão, conquanto seja incerto o tempo que ainda lhes resta. Isso é esperança, ou ilusão?
Lembremos que a esperança é a característica humana que constitui sua maior força e sua maior fraqueza, pois com a sua inspiração as pessoas são capazes de realizações e superações inimagináveis, mas também de se entregarem à escravidão e ao infortúnio. Porque a esperança que não se fundamenta na fé naquilo que seja verdadeiro é, na realidade, pura ilusão. Destarte, a única verdade na vida daqueles que se entregam passivamente à mera expectativa de melhores auspícios para si mesmos, confiantes na ação exclusiva daintervenção divina, é a realidade do próprio fracasso pessoal na construção desse mister.
Assim, a cada passagem de ano, o que a maioria das pessoas está de fato comemorando é o seu autoengano em acreditar na mentira que o acaso da sorte lhes abençoará com as dádivas de uma vida exitosa, que na verdade nunca sairá do mundo dos sonhos. Pois, estas pessoas estão celebrando os desígnios de uma nova “vida velha” e medíocre que continuarão a ter porque aprisionaram suas existências no cárcere da pusilanimidade e inação.
Viver assim é viver de esperar – esperando um ano melhor, esperando uma eleição melhor, esperando uma vida melhor, esperando um país melhor, esperando um mundo melhor, esperando o aumento, esperando ganhar o prêmio, esperando o amor, esperando a felicidade, esperando a sorte, esperando a morte, "...esperando, esperando, esperando..."

A Vingança

Artigo de André Soares – 13/12/2011

"...Qualquer semelhança com INTELIGÊNCIA OPERACIONAL poderá não ter sido mera coincidência..."

"A INTELIGÊNCIA É UM APANÁGIO DOS NOBRES 

CONFIADA A OUTROS, DESMORONA."

Coronel Walther Nicolai - 1873/1934

(Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)


 
 
 
“A Vingança é um prato que se come frio” é, paradoxalmente, expressão de grande notoriedade, mas de significado desconhecido pela maioria. Ela significa que a consecução da vingança é um prazer tão arrebatador que se assemelharia a uma comida tão especialmente saborosa que sequer precisaria ser aquecida. Pois, a vingança é indubitavelmente um dos mais avassaladores prazeres que se pode sentir. Significa também que, contrariamente ao pensamento unânime que a condena a ser exclusivamente um sentimento vil; ela também pode ser nobre e justa. Isso porque a vingança, em sua genealogia, pode ser oriunda de duas motivações distintas: a inveja e a injustiça.
Assim, a vingança motivada pela inveja é evidentemente um sentimento vil e abjeto porque é próprio do espírito das pessoas indignas, patologicamente egoístas e com elevado complexo de inferioridade, para quem assistir ao sucesso alheio representa um sofrimento insuportável, especialmente se tiverem sido preteridas em decorrência dele. Destarte, revoltadas por não terem sido contempladas com o beneplácito das pessoas privilegiadas, ou com a maestria e virtuosismo das bem-sucedidas, e ainda sentindo-se prejudicadas e ameaçadas pelo seu êxito, tornam-se pessoas amarguradas e contaminadas pela inveja, cujo ódio alimentado progressivamente deságua no seu destino final - a vingança.
Exemplo clássico, potencialmente perigoso na vida real, conquanto aparentemente inofensivo por se tratar de obra de ficção, está na famosa história infantil “Branca de Neve e os 7 anões”, conhecida por todos. Nela, a rainha má trama e ordena a morte da Branca de Neve, motivada exclusivamente por sua inveja da beleza esplendorosa da jovem beldade, que ingenuamente desconhecia que o sucesso é uma fonte inesgotável de inimigos porque fomenta a inveja alheia. Todavia, se no conto de Branca de Neve a rainha invejosa não foi bem-sucedida em sua vingança, na vida real muitas vezes não acontece o desejado final feliz. Porque a vingança de pessoas invejosas se reproduz tragicamente na realidade da vida de muitas pessoas que, à semelhança da ingênua Branca de Neve, sequer perceberam que foram vítimas do próprio sucesso.
Por outro lado, a vingança motivada pela injustiça pode ser nobre e justa. Embora sejam raros, podemos citar o exemplo recente da história internacional, referente ao atentado terrorista ocorrido na olimpíada de Munique de 1972, matando vários atletas da delegação israelense, que ficou conhecido como “Massacre de Munique”. Em resposta a esse ato hediondo contra o estado de Israel, que vitimou covardemente e violentamente inocentes cidadãos daquele país, o governo israelense, por decisão da sua primeira-ministra Golda Meir, determinou ao seu Serviço Secreto, conhecido como “Mossad”, a realização de uma operação sigilosa encoberta que foi batizada com o codinome de "A ira de Deus", para caçar em todo o mundo e eliminar os mentores e autores do referido atentado. E, pouco tempo depois, a maioria deles foi "misteriosamente" assassinada, suscitando inquietações perturbadoras sobre o mérito da justiça que é aplicada por um Deus passional.
A despeito das inúmeras e polêmicas considerações que poderão ser suscitadas sobre justiça e ética, vale destacar que, a despeito de eventualmente serem todas relevantes, em se tratando de vingança serão todas não pertinentes. Isso porque a vingança motivada pela injustiça é originalmente sempre nobre e justa porquanto é exclusivamente avaliada segundo os valores próprios do espírito de quem se vinga. É por isso que este não se sente vingativo, mas sim justiceiro, sendo dominado pelo êxtase e realização pessoal, sem qualquer arrependimento pelo ato da sua vingança, o qual ficará eternizado meritoriamente em sua história de vida. 
Ainda inquietante é saber que assim como a vingança pode ser vil ou nobre, ela também pode destruir ou salvar o seu protagonista. Porque a pessoa que arquiteta a sua vingança contra outrem motivada pela inveja tem a alma inoculada pelo próprio veneno, que poderá destruí-la a si mesma, antes mesmo de concretizar o seu intento. Mais perturbador é saber que a vingança motivada pela injustiça é salvadora, pois a alma alimentada pelo sentimento libertador da ética e justiça fortalece em energia o espírito pela vingança, dia a dia.
Portanto, como a história está a nos demonstrar a inexorabilidade da contraditória divergência axiológica da humanidade, especialmente quanto ao significado dos valores de justíca e ética; a vingança, em suas diversas matizes, continuará eternizada entre os homens como poderoso instrumento de glorificação da vida contra a injustiça, eternizando também a dúvida sobre quando a legitimidade de sua servidão estará a serviço dos propósitos de deus, ou do diabo.

"...Eu era feliz e não sabia!”

Artigo de André Soares - 10/12/2011

Inúmeros poetas foram célebres em nos revelar a felicidade recôndita nos meandros da vida, a exemplo de Casimiro de Abreu, em sua poesia “Meus oito anos”, descrevendo suas belas lembranças dessa idade, em especial. Não nos esqueçamos de Gonçalves Dias, em seu poema “Canção do Exílio”, primoroso hino de amor ao Brasil, homenageando as privilegiadas belezas naturais da nossa Pátria-Mãe. Todavia, se Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias, dentre outros, nos encantaram com o saudosismo de belas reminiscências, Ataulfo Alves foi magistral em advertir-nos da tristeza de não se ter consciência da verdadeira felicidade, e do sofrimento de encontrá-la perdida irrecuperavelmente no próprio passado. Assim, Ataulfo Alves eternizou o triste lamento “...Eu era feliz e não sabia!”, com o qual termina a sua bela e antiga canção “Meus tempos de criança”, referindo-se à felicidade irreversivelmente encoberta no passado de sua infância gloriosa, cujo esplendor infelizmente apenas tardiamente soube reconhecer.
Na verdade, esta consagrada obra de Ataulfo Alves retrata a tragédia da vida de muitas pessoas que somente encontram a felicidade depois de tê-la perdido definitivamente; cujo maior sofrimento está em saber que desprezaram essa dádiva quando a tiveram inteiramente ao seu dispor.
Quantos compatriotas somente reconheceram o valor do heroísmo de seus antepassados na conquista do legado histórico de seu país depois que sua nação sucumbiu em crises e guerras!...; quantos filhos ingratos somente reconheceram o valor da dedicação e amor de seus pais depois que eles deixaram essa vida!...; quantas pessoas irresponsavelmente imaturas somente reconheceram o valor de terem encontrado o verdadeiro amor de suas vidas depois que o destruíram com o seu egoísmo e traição!...
Pois, “...Eu era feliz e não sabia!” é o arrependimento a que estes estão condenados, por terem navegado suas vidas em mares traiçoeiros onde “... é preciso perder para dar valor...”. Isso porque não souberam cultuar os reais valores dessa vida; não souberam reverenciar a sabedoria dos mestres; não souberam corresponder e dignificar-se ao amor verdadeiro; e porque se esqueceram que a vida só é vivida uma vez, que cada momento é único e não volta mais, e que a qualquer instante (por mais que isso demore) não estaremos mais aqui.