Quem sou eu

Minha foto

Inteligência Operacional é uma empresa criada por André Soares que é o seu Diretor-presidente. É pioneira no país na formulação e emprego de doutrina de Inteligência própria, consolidada oficialmente em suas obras publicadas, visando ao aperfeiçoamento da cidadania e do Estado Democrático de Direito no Brasil, em obediência aos princípios constitucionais, por parte das pessoas, organizações e instituições públicas que exerçam a Inteligência de Estado.

sábado, 22 de setembro de 2012

O "diletantismo irresponsável" da Inteligência no Brasil

O "diletantismo irresponsável" da Inteligência no Brasil
Artigo de André Soares - 25/03/2012


“O melhor que se pode dizer sobre o que acontece aqui é um diletantismo irresponsável” é história proibida da Inteligência de Estado de um importante e promissor país emergente; mas que se divorciou das sábias palavras do coronel Walther Nicolai, chefe do serviço de inteligência do chanceler Bismarck, que profetizou: “A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
Pois, essas palavras foram proferidas numa tensa e ríspida reunião sigilosa à principal autoridade do órgão central do sistema de inteligência daquele país, em razão das graves irregularidades cometidas pela cúpula do seu principal serviço secreto. Contudo, visceralmente comprometido, esse dirigente máximo não hesitou em retaliar clandestinamente o seu interlocutor, que evidentemente caiu em desgraça. Todavia, numa reviravolta surpreendente, aconteceu o inimaginável num serviço de inteligência de um estado democrático de direito. Pois, numa reunião secreta, urgentíssima, estava o referido dirigente máximo da inteligência nacional, cabisbaixo, nervoso e visivelmente abalado, pedindo solenes desculpas oficiais, em nome da principal agência de inteligência nacional, pelos referidos desvirtuamentos cometidos, cujas escusas foram apresentadas subservientemente à pessoa daquele mesmo protagonista que hostilizara.
Na verdade, esse inadmissível capítulo da inteligência daquele país constituiu um desesperado estratagema governamental para evitar a todo custo que o "diletantismo irresponsável" de seus serviços de inteligência fosse revelado. Porém, o seu resultado final foi desastroso porque o referido protagonista reagiu veementemente contra a subseqüente e inescrupulosa tentativa de sua cooptação. Destarte, o que se seguiu naquele gabinete ultrassigiloso reflete a gravidade do caso em testilha porque “quem deve, teme - e treme”. Assim, temeroso da sua inevitável responsabilização, o dirigente máximo de inteligência descontrolou-se em ingentes ameaças ao referido protagonista que, sendo provenientes da direção-geral do principal serviço secreto de um país, trata-se da mais tácita e fatal condenação que uma pessoa pode receber em vida.
“Não imaginei que havia criado um monstro” foram as célebres palavras de arrependimento proferidas pelo General Golbery do Couto e Silva, ante à degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1964, do qual foi um dos principais idealizadores, e que culminou com sua extinção no governo Fernando Collor de Melo. Como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados ressuscitou no Brasil o espírito do antigo SNI, sob a denominação de Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), criada como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999. Com pouco mais de uma década de existência, a história da ABIN se caracteriza por sua escandalosa e generalizada ineficiência, contaminando o SISBIN e por uma sucessão de escândalos e crises institucionais de âmbitos nacional e internacional, cujas danosas conseqüências implicaram a exoneração de vários diretores-gerais, ao longo dos governos FHC e Lula.
Na atual conjuntura, o Brasil sofre a maior e pior crise institucional de inteligência sem precedentes na sua história, incipientemente desvelada à sociedade, em 2008, no festival de clandestinidades da Operação Satiagraha, criminosamente patrocinadas pela direção-geral e toda a cúpula da ABIN. Em pleno governo Dilma Rousseff, nada efetivamente foi realizado contra esse intolerável estado de coisas. E, no epicentro desse caos que vive a Inteligência de Estado no Brasil, a ABIN e o SISBIN continuam uma "caixa preta" invencível, sem controle, em flagrante atentado contra o estado democrático de direito vigente, obscuramente protegida pela impunidade, inação e rápido esquecimento de nossos governantes sobre seus crimes praticados contra o estado brasileiro, cujos culpados nunca foram responsabilizados; e sob a cumplicidade dos órgãos de controle, dos poderes executivo, legislativo, judiciário e do ministério público.
No momento em que aquele protagonista saiu do gabinete da presidência da república, após o derradeiro e fatídico desfecho sobre o “diletantismo irresponsável” que impera na inteligência nacional daquele país sem história, ele sabia sobejamente sobre o terrível destino que o aguardava, e que as piores contingências acometeriam os desígnios do seu país e da sua vida.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O destino da ABIN

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi criada pela Lei 9.883, de 7 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), para assessorar a Presidência da República produzindo informações de interesse do Estado, salvaguardando-o de ameaças à nossa sociedade e à soberania nacional. Contudo, a verdade inconveniente que nossos governantes não revelam, por temer retaliação da fúria da “comunidade de inteligência”, é a sua ineficiência generalizada. Isso decorre de sua perigosa instabilidade institucional, constituindo-se numa caixa-preta invencível e sem controle, que o Estado constituído – poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e Ministério Público – teme fiscalizar. O que ocorre na Abin? Ninguém sabe. Nem nossas autoridades e governantes, nem seus próprios dirigentes.
Todavia, o próprio Estado brasileiro predestinou a Abin a esses desígnios, pois uma instituição criada sob o corporativismo de uma comunidade obscura nasce desajustada. A Abin tem seus cargos de direção contaminados pelo nepotismo, exceção feita aos integrantes que nela ingressaram posteriormente, pela legitimidade da aprovação em concurso público, mas que são internamente preteridos e pejorativamente discriminados de “concursados”. Isso porque, em sua criação, a agência foi “aparelhada” com os grupos dessa comunidade, tornando-se reduto de grupos de ex-integrantes do Serviço Nacional de Informações (SNI); militares temporários da reserva do Exército desempregados e muitos “amigos dos amigos”, que se digladiam inescrupulosamente pelo poder. Obviamente que o resultado não poderia ser diferente dos sucessivos escândalos nacionais e internacionais que maculam sua atuação, cujo agravamento conduziu nosso país à maior e pior crise institucional de inteligência de sua história.
Em uma década de existência, a Abin conturbou os governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, seu idealizador, e Luiz Inácio Lula da Silva, herdeiro desse explosivo legado, conquistando o infeliz recorde da exoneração de cinco diretores-gerais, todos envolvidos em sérias irregularidades, inexplicavelmente não apuradas.
Agora, a presidente Dilma Rousseff, com mais de um mês no poder, vive o recrudescimento desse grave problema, deparando-se com a recorrente questão: o que fazer com a Abin? O receio deste ensejo desencadeou recentemente uma avassaladora ação de seus “arapongas”, pressionando a Presidência da República e a sociedade, tomando como pretexto uma pseudorrepresentatividade nacional de suas associações, ferindo de morte os princípios da hierarquia, disciplina, e do sigilo institucional, sempre convenientemente evocado para encobrir a publicidade de suas ações. Todavia, essa é apenas uma inexpressiva parcela da guerra clandestinamente travada pela autofágica comunidade de inteligência, que alcança diversas instâncias do poder público.
Vale dizer que a Abin foi criada originalmente subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), sucedâneo da antiga Casa Militar, o qual é chefiado exclusivamente pelos generais da cúpula do Exército, principal protagonista da criação do Serviço Nacional de Informação (SNI), em 1967, no então regime militar. Lembremos que, não por acaso, o grande mentor da criação da Abin foi o general Alberto Mendes Cardoso, que foi também o primeiro chefe do GSI, legitimando a influência militar na atividade de inteligência. Porém, atribuir à subordinação da Abin ao GSI a causa da crise nacional de inteligência é desconhecer completamente essa problemática. A presidente Dilma Rousseff, em especial, compreende os riscos potenciais que essa conjuntura representa para a segurança nacional, pois o Brasil sequer tem uma política nacional de inteligência.
Ao que na verdade estamos assistindo são as manifestações explícitas de uma metástase institucional, por sua degenerescência aquiescida em mais de 11 anos de inépcia e diletantismo irresponsável de nossas autoridades. Se este é um problema afeto à inteligência de Estado, sua solução é exclusivamente de ordem moral, pois demanda de nossos dirigentes ter a coragem de enfrentá-lo, atitude que os antecessores da presidente Dilma Rousseff não tiveram. A sociedade brasileira vive a expectativa histórica e a esperança de que ela tenha esse mérito. Porque o destino de histórias dessa natureza já é conhecido de sobejo pela sabedoria popular que professa: “Do pau que nasce torto, até a cinza é torta”.

“A Inteligência é um apanágio dos nobres. Confiada a outros, desmorona".
 (Coronel Walther Nicolai - 1873/1934 - Chefe do Serviço de Inteligência do Chanceler Bismarck)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Espião da Abin é preso por investigar colegas

Espião da Abin é preso por investigar colegas

 

Agente foi detido pela PF na semana passada, depois de violar mais de 200 senhas. Desafio do serviço de inteligência é descobrir para que serviriam as informações roubadas
Foto Correio Braziliense

Prisão do "inimigo íntimo" expôs fragilidades da segurança e deixou a agência em situação constrangedora


A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ligada diretamente à Presidência da República por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi espionada por um oficial de inteligência do próprio órgão. Um inimigo íntimo. Até ser descoberto, o espião já havia conseguido "hackear" 238 senhas dos investigadores que trabalham em investigações estratégicas. No fim da tarde da sexta-feira passada, a Polícia Federal (PF) montou uma operação e conseguiu prender o infiltrado em flagrante dentro de sua sala de trabalho na instituição. O episódio delicado, tratado de maneira sigilosa até então, expôs de maneira constrangedora a fragilidade da estrutura responsável por investigar, principalmente, ameaças potenciais ao chefe de Estado.
Agora, o grande desafio da Abin e da PF é tentar descobrir para quem o investigador trabalhava. Após ser preso, o servidor foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na Asa Sul. Ele foi libertado no sábado, após a Justiça arbitrar fiança no valor de três salários mínimos e meio.
No início da noite de ontem, o GSI confirmou a informação. Em comunicado encaminhado ao Correio, o gabinete ressaltou que o órgão, em parceria com a Polícia Federal, esperou o momento oportuno para prender o agente. "Na última sexta-feira, a Abin decidiu ser o momento oportuno para contatar a Polícia Federal, que instaurou o procedimento legal que a situação requer, com base no Código Penal Brasileiro", diz a nota oficial. A Abin comunicou que a Corregedoria-Geral da autarquia instaurou processo administrativo disciplinar para dar seguimento às medidas administrativas cabíveis. Só depois disso, o araponga será expulso do serviço público.
"A agência verificou um fluxo atípico de dados em uma estação de trabalho na sua sede em Brasília. As atividades desenvolvidas nessa estação foram acompanhadas, identificando diversas ações vetadas por regulamentos e normas legais", salienta o GSI.
A PF confirmou oficialmente que o agente foi enquadrado por violação de sigilo funcional, crime previsto no Artigo 325 do Código Penal, com pena de seis meses a 2 anos de detenção ou multa, se o fato não acarretar consequências mais graves.
Como na maior parte dos órgãos estatais, os cargos da Abin são preenchidos, desde 1994, por meio de concurso público. Ainda fazem parte da agência alguns ex-funcionários dos órgãos de inteligência que a antecederam, sobretudo do Serviço Nacional de Informações (SNI), criado na ditadura militar e extinto pelo presidente Fernando Collor de Mello em 1990.
A criação da Abin proporcionou ao Estado brasileiro institucionalizar a atividade de inteligência, mediante ações de coordenação do fluxo de informações necessárias às decisões de governo.
Memória
Imagem maculada
A Abin sofreu um grande desgaste no ano passado, depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou ilegais as investigações da Operação Satiagraha e anulou a ação penal em que o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, havia sido condenado por corrupção ativa. A defesa do banqueiro alegou que os agentes da Abin, sem amparo legal, participaram das investigações diretamente, com grampos telefônicos e monitoramento de dados. Parecer do Ministério Público Federal opinou pela nulidade de toda a investigação.
Por João Valadares - Correio Braziliense

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Livro Liderança Operacional,





 
A doutrina de Liderança Operacional, que constitui a liderança exercida pelos verdadeiros e autênticos Agentes Secretos, foi desenvolvida por André Soares, contextualizada como manifestação inerente à doutrina de Inteligência Operacional, para ser empregada por qualquer pessoa, em qualquer situação, ou circunstância da vida real.
Adquira seu exempar (clique aqui)
Faça o download gratuito de uma versão demonstrativa do livro, cadastrando-se em nossa "Área Restrita".


 
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A defesa nacional e a "arte da guerra"

"O objetivo da guerra é a paz!" Estas são célebres palavras, proferidas há mais de 2000 anos, por Sun Tzu, renomado estrategista militar chinês, que demonstrou com grande sabedoria que a guerra pode ser justa, ética e nobre. Magnânimo reconhecimento internacional da "Arte da Guerra" ocorreu em 2009, na entrega do prêmio Nobel da Paz a Barack Obama, presidente dos EUA e comandante em chefe da maior potência bélica do planeta. O que se viu naquela distinta cerimônia de homenagem à paz foi o presidente americano Barack Obama discursar ao mundo uma magnífica exaltação à “Arte da Guerra”.
A guerra não deve ser entendida como uma “maldição dos militares”, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados; conquanto sejam estes os que empenharão seu sangue e as próprias vidas, em defesa da pátria. Se guerras são lutas entre nações - e não disputas entre exércitos - a "Arte da Guerra" é uma condição que afeta ao estado e à cidadania, não uma prerrogativa militar. O combate e a diplomacia são seus instrumentos e ambos consistem em vencer pelo emprego da força. O combate é a força da dissuasão e a diplomacia a força da persuasão. Porém, a “Arte da Guerra” quando dissociada de qualquer um deles degenera-se perigosamente.
No Brasil, infelizmente, nossos governantes, ao longo da nossa história, se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, relegando nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional. Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não-operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate, e não dentro dos quartéis.
Inúmeras são as deficiências de que sofrem nossas Forças Armadas: ínfimos recursos orçamentários; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; vultosos e obscuros gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional das três Forças; desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da "atividade-meio" e esvaziamento "da atividade-fim"; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.
A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Assim, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório. É preciso lembrar que guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por Forças Armadas profissionais e operacionais.
Esse cenário de flagrante vulnerabilidade do poder militar do país, além de comprometer nossa defesa nacional, inviabiliza a pretensão internacional dos nossos governantes de levar o Brasil a conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um país com poder militar não-operacional, como o Brasil.
A "arte da guerra" é a arte de viver, divisor de águas entre vencedores e vencidos, a exemplo da hegemonia dos EUA, que possuem bases militares instaladas em todo o mundo, partícipe de conflitos armados internacionais, como as recentes guerras no Iraque, no Afeganistão, e em aprestamento militar para uma intervenção armada no Irã. Que a sociedade brasileira reflita sobre a realidade de nossas Forças Armadas porquanto a próxima guerra sempre vem, e a história está a demonstrar que a defesa da soberania nacional tem elevado custo. Afinal, "o povo que não estiver disposto a lutar pela sua paz não a merece".

A "quarta onda"
Artigo de André Soares - 26/05/2010.

Alvin Toffler é um renomado futurista norte-americano que reviu a história sob nova ótica na sua memorável obra intitulada “A terceira onda” (The Third Wave). Nela, o autor demonstra que o desenvolvimento da humanidade foi fortemente determinado por três fatos que considerou os mais significativos da história e que denominou de “ondas”. A primeira delas foi a revolução agrícola há cerca de dez mil anos, a segunda foi a revolução industrial há 300 anos, e “a terceira onda” é a atual era da informação e do conhecimento em que vivemos. Hoje, no auge da eclosão da “terceira onda”, já se anuncia o advento da “quarta onda”. Todavia, contrariamente às “ondas” anteriores que ensejaram o crescimento e o desenvolvimento das civilizações, “a quarta onda” constitui um verdadeiro “tsunami” de destruição. Trata-se da “onda do espírito”.

Se ao longo da história a humanidade experimentou um desenvolvimento econômico exponencial extraordinário, conforme muito bem diagnosticou Alvin Toffler; atualmente as pessoas nunca estiveram tão vulneráveis e perdidas espiritualmente. Estresse, ansiedade, fobias, bipolaridade, depressão, assédio moral, “bullying”, síndrome do pânico, dentre outros, fazem parte do inevitável pacote de problemas psicológicos da vida moderna; e que levaram a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gro Harlem Brundtland, no ano de 2000, a qualificar a situação das enfermidades e transtornos mentais como "a crise do século XXI". Em termos práticos, significa dizer que se hoje ainda há quem não tenha sido acometido por pelo menos alguma dessas doenças, no futuro próximo certamente será.

Prova disso são as demandas sociais crescentes pelos conteúdos de auto-ajuda, os recordes de lucratividade das editoras e livrarias na vendagem desses livros, a constatação tácita de que os consultórios dos profissionais da psique nunca estiveram tão cheios, o enfraquecimento das religiões mais tradicionais pela perda de fiéis, o surgimento de novas crenças e seitas, o recrudescimento do fundamentalismo e do fanatismo religioso, e as estatísticas alarmantes dos gastos previdenciários com o tratamento de doenças mentais em todo o mundo.

A destruição da “onda do espírito” já é uma realidade na vida das pessoas, das famílias, das organizações e dos estados. Seus efeitos comprometem a saúde dos indivíduos e seus custos crescentes inviabilizarão gradativamente a eficiência e o próprio funcionamento organizacional. Assim, avizinha-se o inexorável cenário de crises de natureza psicossocial, com conseqüentes prejuízos financeiros, econômicos e políticos para as sociedades, que já se fazem sentir. Entretanto, como sempre acontece ante a uma tragédia anunciada como esta, a incredulidade, a indolência, e a irresponsabilidade generalizadas, conduzindo à inação, contribuem para o agravamento de suas conseqüências.

“O que fazer?”

Pelas gerações atuais, muito pouco, pois força espiritual não se compra nas livrarias, não se adquire nas igrejas e templos, e não se recupera nos consultórios. Nesse contexto, as gerações futuras já nascerão comprometidas porquanto não escaparão da má influência e do triste legado que herdarão.

A boa notícia é que, como historicamente acontece, as grandes tragédias suscitam os melhores auspícios aos que, antevendo o futuro, são os mais inteligentes, os mais fortes, e os espiritualmente mais preparados.




O "pecado" mortal da Inteligência
Artigo de André Soares - 15/08/2010.

A Inteligência de Estado é o instrumento mais poderoso do estado constituído, por meio do qual o Estado pode absolutamente tudo (até o que ‘não pode’). É exatamente por isso que ela é apanágio apenas dos nobres. Caso contrário, desmorona. Sempre desmorona.

“Nós ganhamos a guerra da revolução e perdemos a guerra da comunicação” é o ‘mea culpa’veladamente assumido pelas mais nobres autoridades da Inteligência do Brasil. Todavia, a atual reincidência dos graves erros cometidos no nosso passado recente revela que esse crucial aprendizado não se consolidou, confirmando a infelicidade que vive a Inteligência nacional, pois “se errar é humano, persistir no erro é burrice”.

Este é o resultado do diletantismo irresponsável que predomina nessa atividade no país, a qual ainda está vitimada pelo único “pecado” mortal da Inteligência de Estado - a ingenuidade.

A Ingenuidade é o “pecado” mortal de acreditar em mentiras, quaisquer que elas sejam. Assim, nossa Inteligência está infestada de “pecadores”, responsáveis por conduzir o país ao sofrimento de sua maior e pior crise institucional de Inteligência de sua história.

Com isso, estamos à mercê da ação dos serviços de inteligência estrangeiros, do crime organizado e da corrupção, enquanto esses “pecadores” incautos fogem do ‘bom combate’, se escondendo na covardia de acreditar nas mentiras proferidas pelos próprios inimigos que deveriam combater.

Uma sociedade com uma 'Inteligência' assim não precisa de inimigos.

Se a Inteligência de Estado, em nome do Estado, pode absolutamente tudo; o que ela não pode é estar confiada aos ineptos, covardes e “pecadores”.



"O objetivo da guerra é a paz!" Estas são célebres palavras, proferidas há mais de 2000 anos, por Sun Tzu, renomado estrategista militar chinês, que demonstrou com grande sabedoria que a guerra pode ser justa, ética e nobre. Magnânimo reconhecimento internacional da "Arte da Guerra" ocorreu em 2009, na entrega do prêmio Nobel da Paz a Barack Obama, presidente dos EUA e comandante em chefe da maior potência bélica do planeta. O que se viu naquela distinta cerimônia de homenagem à paz foi o presidente americano Barack Obama discursar ao mundo uma magnífica exaltação à “Arte da Guerra”.
A guerra não deve ser entendida como uma “maldição dos militares”, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados; conquanto sejam estes os que empenharão seu sangue e as próprias vidas, em defesa da pátria. Se guerras são lutas entre nações - e não disputas entre exércitos - a "Arte da Guerra" é uma condição que afeta ao estado e à cidadania, não uma prerrogativa militar. O combate e a diplomacia são seus instrumentos e ambos consistem em vencer pelo emprego da força. O combate é a força da dissuasão e a diplomacia a força da persuasão. Porém, a “Arte da Guerra” quando dissociada de qualquer um deles degenera-se perigosamente.
No Brasil, infelizmente, nossos governantes, ao longo da nossa história, se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, relegando nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional. Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não-operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate, e não dentro dos quartéis.
Inúmeras são as deficiências de que sofrem nossas Forças Armadas: ínfimos recursos orçamentários; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; vultosos e obscuros gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional das três Forças; desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da "atividade-meio" e esvaziamento "da atividade-fim"; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.
A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Assim, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório. É preciso lembrar que guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por Forças Armadas profissionais e operacionais.
Esse cenário de flagrante vulnerabilidade do poder militar do país, além de comprometer nossa defesa nacional, inviabiliza a pretensão internacional dos nossos governantes de levar o Brasil a conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um país com poder militar não-operacional, como o Brasil.
A "arte da guerra" é a arte de viver, divisor de águas entre vencedores e vencidos, a exemplo da hegemonia dos EUA, que possuem bases militares instaladas em todo o mundo, partícipe de conflitos armados internacionais, como as recentes guerras no Iraque, no Afeganistão, e em aprestamento militar para uma intervenção armada no Irã. Que a sociedade brasileira reflita sobre a realidade de nossas Forças Armadas porquanto a próxima guerra sempre vem, e a história está a demonstrar que a defesa da soberania nacional tem elevado custo. Afinal, "o povo que não estiver disposto a lutar pela sua paz não a merece".

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A melhor idade

Artigo de André Soares - 06/09/2012

 



As pessoas com idade avançada são impropriamente denominadas de velhas. Porque como é notório que há pessoas que são velhas por toda a vida significa que o envelhecimento não é apenas uma conseqüência exclusiva do inexorável transcurso do tempo. Todavia, o aterrorizante medo da morte tem recrudescido a exacerbação do autoengano nos dias atuais. Destarte, verifica-se o emprego da manipulação logomáquica, visando ao mascaramento da inevitável fase terminal da vida, pela adoção de expressões eufemísticas como “idade da razão”, “idade da sabedoria” e “melhor idade”, dentre outras. Contudo e contrariamente ao senso comum, a verdade sobre o envelhecimento é trágica, o qual não é nem mesmo o apogeu das virtudes e sabedoria humanas. Essa dura realidade da vida foi brilhantemente retratada nas sábias e sinceras palavras de Rita Lee, a talentosa e irreverente rainha do rock brasileiro que, alcançando a “terceira idade”, declarou corajosamente: “...Envelhecer é uma merda!”
Não há nada de bom em envelhecer. Absolutamente, nada. Aceitar essa verdade inconteste é dolorosamente insuportável para a esmagadora maioria das pessoas. E a tragédia do fim da vida é ainda pior porque é pura mentira acreditar que o envelhecimento proporciona virtuosidades e sabedoria. Ledo engano. Porque envelhecer, além de ser o pior momento da vida em todos os sentidos, é a fase em que a maioria das pessoas fica ainda pior do que sempre foi. Todavia, a boa notícia é que a "melhor idade" existe e pode durar por toda a vida. Mas, para isso, é necessário compreender que o ser humano possui inúmeras idades, sendo quatro as mais importantes.
A primeira e menos importante delas é a “idade cronológica” que, sendo meramente quantitativa, é matematicamente referenciada em relação à data de nascimento. A despeito de ser motivo de preocupação e omissão especialmente pelas mulheres a partir da fase adulta, sua principal utilidade é referenciar o tempo de vida transcorrido. Nada mais. Todavia, alcançar o seu maior valor possível é a obstinação que a humanidade mais se preocupa, muitas vezes se esquecendo de que viver em quantidade só é satisfatório se houver qualidade de vida. Caso contrário, a existência humana se transforma em mero suplício.
A segunda idade em importância é a "idade aparente", que é a idade cronológica que as pessoas imaginam a respeito de outrem. Ela tem crescente importância social, notadamente a partir da maturidade, no sentido de se aparentar máxima beleza e jovialidade, próprias de "idade cronológica" inferior a que realmente se tem. A despeito de sua menor expressão no ranking das idades humanas, a "idade aparente" é considerada unanimemente como a mais importante de todas, em razão das inúmeras oportunidades auspiciosas que ela proporciona no mundo atual, dominado pela ditadura da “lei do mais belo(a)”.
Contudo, a terceira idade é muito mais importante que as anteriores. Trata-se da "idade física", que espelha a saúde, higidez e vitalidade do organismo. Investir numa excelente "idade física" é crucial para se viver bastante, mas principalmente por viabilizar máxima qualidade de vida. Infelizmente, a realidade da atual conjuntura é que as sociedades estão contaminadas por crescentes epidemias de natureza comportamental, devidamente alardeadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), principalmente a de transtornos mentais e de obesidade, revelando que as pessoas estão adoecendo, descuidadas de suas "idades físicas", tão essencial à saúde e à própria vida.
Por fim, a "idade psíquica" é a mais importante das idades humanas. Ela é a principal determinante da vida, pois é a idade do espírito e da alma de quem vive. Assim, a "melhor idade" é a "idade psíquica” dos jovens, cuja juventude não é proveniente apenas do corpo, mas principalmente da mente humana. Mas, o que é ser jovem? Ser jovem é possuir a virtude da rebeldia que, ao contrário do que se imagina, não é aspecto depreciativo da personalidade. Porque rebeldia é o atributo de caráter próprio de quem não se permite dominar, não é subserviente, não se subverte, não se vende, não se corrompe, não se escraviza, e luta apaixonadamente por suas ideias. Isso é ser jovem.
Portanto, enquanto o ser humano tiver o espírito da "idade psíquica" da rebeldia ele será eternamente jovem, a sua vida terá propósito e será vivida com tesão, terá graça, beleza, saúde, vigor, alegria e felicidade. Essa é a "melhor idade". E que seja eterna enquanto dure!
 


"A tropa é o espelho do chefe"


Artigo de André Soares – 02/09/2012



“A tropa é o espelho do chefe” é uma inexorável e universal máxima sobre a carreira das armas. Quem souber empregá-la conseguirá avaliar com precisão e rapidamente o poder militar de qualquer tropa, organização militar, ou forças armadas, sem necessitar de uma investigação aprofundada. Porque todos os militares subordinados, sem exceção, ficam inescapavelmente aprisionados sob a influência da pessoa e valor dos seus comandantes, em tudo. Nos atos de heroísmo e bravura, mas também na incompetência e na corrupção. Isso decorre da vida profissional totalizante a que os militares estão submetidos, sob os rigores absolutos da hierarquia e disciplina militares. É exatamente por isso que outra máxima militar nos ensina que “as palavras convencem, mas o exemplo arrasta”, inclusive o mau exemplo. Portanto, em qualquer circunstância, seja qual for o efetivo, valor, ou situação de emprego das forças militares de qualquer natureza, estar-se-á sempre diante do retrato mais fiel da pessoa do seu comandante.
Nesse mister, “A psicologia da incompetência dos militares’’ é uma obra rara, densa e primorosa, de natureza científico-acadêmica, de autoria de Norman F. Dixon, que desvela com especial maestria o perfil psicológico dos comandantes incompetentes, os quais arrastam inescapavelmente as instituições militares sob seu comando para a ineficiência. Constitui assim diagnóstico minucioso notadamente sobre o perfil dos comandantes das forças armadas brasileiras e sua cúpula, que são os principais responsáveis pelo quadro de falência que afeta as forças armadas brasileiras; e não os governantes do país, que são injustamente condenados por eles, veladamente junto ao seu público-interno.
A realidade é que as forças armadas brasileiras são ineficientes no cumprimento de sua missão constitucional de defesa nacional porque são não operacionais, a exemplo de seus comandantes. Essa grave deficiência do poder militar do país também inviabiliza a sua pretensão de conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pois, é pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um país com poder militar não operacional, como o Brasil.
Essas são verdades proibidas e dissimuladas da sociedade porque revelam que nossas forças armadas são incapazes de vencer guerras. Isso porque as estruturas militares se tornam ineficientes quando se desvirtuam de sua atividade-fim que é o emprego em combate. Destarte, prova cabal de autoria e materialidade desse flagrante delito cometido contra a defesa nacional está paradoxalmente nos extensos currículos dos comandantes e a cúpula das forças armadas. Pois, atestam que eles, em suas longas carreiras militares, nunca combateram ou vivenciaram o “bom combate”; diferentemente dos nossos corajosos e esquecidos “pracinhas” da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutaram e morreram defendendo o Brasil na II guerra mundial. Portanto, a verdade sobre o profissionalismo militar dos comandantes das forças armadas brasileiras é de incompetência, congênere à do engenheiro que nunca construiu, ou à do cirurgião que nunca operou.
Nessa conjuntura atual, a carreira das forças armadas tornou-se profissão desprestigiada no país, porém muito disputada por ter se transformado num excelente emprego, sendo dominada pelos carreiristas de gabinete, preterindo os verdadeiramente vocacionados para a vida castrense. Isso é o que vem ocorrendo há décadas, cuja crescente e grave evasão de jovens promissores de suas fileiras é hemorragia que os atuais comandantes militares conseguem esconder, mas não estancar. Portanto, confirmando a máxima inexorável, as forças armadas brasileiras são exatamente o retrato mais fiel da personalidade de seus respectivos comandantes.
Se qualquer pessoa em sã consciência e voluntariamente não habitaria com sua família uma residência construída por um engenheiro que nunca construiu, e não submeteria qualquer de seus familiares a uma cirurgia realizada por um cirurgião que nunca operou, a triste verdade é que a defesa nacional está entregue a comandantes militares que nunca combateram. Quando a nação brasileira conclamar nossas forças armadas ao derradeiro combate em defesa do país, estaremos confiando a eles o destino do Brasil e a vida de nossos filhos. Todavia, nossos comandantes das forças armadas ostentam medalhas, muitas medalhas.

O homem-bibelô


Artigo de André Soares - 27/08/2012

 
 
Desde Adão e Eva, o homem sempre atuou na história como protagonista principal. Contudo, a mulher especializou-se nos auspícios de agir como eminência parda, fortalecendo-se na imortalizada beleza da Vênus de Milo, a deusa do amor. Nos dias atuais, vivemos a consagração da vitória feminina, cuja estratégia silenciosa ao longo dos tempos conduziu as mulheres à conquista do mundo, conquanto os homens ainda não tenham se apercebido disso. Na "guerra dos sexos", ao contrário do que se imagina, as mulheres não são o sexo frágil, embora tenham a habilidade de fazerem crer que sim. A realidade é que elas venceram dominando a arte de persuadir, sem se revelar; conhecer, sem ser conhecido, e continuando a ser um enigma especialmente para os homens, reduzidos hodiernamente por elas ao papel de "homem-bibelô".
O “homem-bibelô” é um fenômeno contemporâneo degenerativo da natureza masculina, conseqüência da estratégia hegemônica feminina. Destaca-se que ele está afeto exclusivamente à ação das mulheres bem-sucedidas que, especializadas na principal vulnerabilidade masculina, uma vez que os homens são escravos do sexo, sobrepujam-nos e os escravizam completamente. Todavia, essa expertise requer inteligência, perseverança e determinação das mulheres, visando à conquista e manutenção das principais fontes do seu poder e domínio sobre os homens: a beleza e a independência financeira. Ressalta-se que sua hegemonia está exclusivamente vinculada à estética corporal feminina porque a supremacia do poder da mulher está na beleza do seu corpo, não de suas ideias. Assim, tornando-se esplendorosamente belas e independentes financeiramente as mulheres escravizam plenamente o sexo oposto, libertando-se do jugo provedor masculino.
Portanto, na "guerra dos sexos" a verdade é que os homens são cada vez menos imprescindíveis às mulheres quanto mais poderosas elas se tornam, embora a recíproca não seja verdadeira. Porque é crucial não esquecer que somente os homens são escravos do sexo. Pois, as mulheres são escravas do amor, conquanto sejam confusas quanto a esse sentimento, razão pela qual são infiéis, principalmente as poderosas. Destarte, o seu real interesse pelo sexo oposto recai somente sobre os homens mais bem-sucedidos que elas, desde que possuam manifesto potencial para a satisfação de suas vaidades e desejos. Esse é o contexto em que o fenômeno do “homem-bibelô” se manifesta, ocorrendo majoritariamente no público-alvo masculino financeiramente privilegiado, cujo perfil é constituído principalmente por empresários, políticos, artistas, banqueiros, chefes de organizações criminosas, dentre outros.
Esses homens estão sendo avassaladoramente condenados a “homens-bibelôs”, pois se tornam marionetes nas mãos dessas mulheres poderosas, inevitavelmente transformados em zumbis ao seu serviço, sedentos por sua companhia e atenção, miseravelmente escravizados por migalhas de sexo. Abdicando ao protagonismo no relacionamento homem-mulher, os “homens-bibelôs” subvertem-se a um comportamento subserviente, no qual aceitam ser exibidos socialmente por elas a tiracolo, reduzidos a decorativo troféu de cobiçado exemplar masculino servil, ou à futilidade de um descartável “souvenir” de luxo. Perdem assim valorosos e fundamentais atributos da masculinidade inerentes à personalidade do homem viril, tão especialmente admirados e desejados num homem, particularmente pelas próprias mulheres.
Os “homens-bibelôs” são “homens de brinquedo”, sem identidade e autoconfiança, emocionalmente fragilizados, inseguros e dependentes, a abarrotarem os consultórios psicológicos em busca do seu “elo perdido”. Esta é uma conjuntura epidêmica em todas as classes sociais e faixas etárias, assinalando um cenário de prognóstico desfavorável na inexorável e interminável "guerra dos sexos".
Quanto às mulheres poderosas, resta-lhes a esperança de terem a felicidade de encontrar em suas vidas um verdadeiro homem como companheiro, que esteja à sua altura em todos os sentidos, com personalidade e força de espírito para lhes amar e proteger, inspirando-lhes amor e admiração. Nesse mister, a despeito de suas vertiginosas conquistas históricas e de comandarem cada vez mais os desígnios da humanidade, a verdade é que as mulheres têm fracassado sistematicamente ante ao derradeiro desafio de suas vidas pessoais, crucial à felicidade feminina. Porque mulheres poderosas podem manipular legiões de “homens-bibelôs”, mas “somente uma grande mulher ladeará com um grande homem”.

O Mensalão e a Satiagraha

Artigo de André Soares - 15/08/2012
 
 



É motivo de júbilo para a sociedade brasileira e vitória do estado o transcurso do atual julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o denominado escândalo do “mensalão”, ocorrido em 2005, que está transcorrendo com total publicidade e transparência à nação, transmitido ao vivo por veículos da mídia nacional e internacional. Contudo, se o estado democrático de direito do país e suas instituições públicas tiveram maturidade e altivez para apurar e julgar os crimes do “mensalão”; por outro lado, se subvertem silentemente ante os ingentes crimes cometidos pelos serviços secretos nacionais contra o estado brasileiro e à soberania nacional. Isso porque se o “mensalão” é reconhecidamente a mais grave contingência criminosa produzida pela política brasileira da era republicana; o festival de clandestinidades patrocinadas pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) na Operação “Satiagraha”, em 2008, representa um dos mais graves crimes cometidos por serviços de inteligência contra o estado constituído, da história contemporânea mundial.
Sobre a real gravidade dos crimes da ABIN na “Satiagraha”, é de todo pertinente se indagar por que o então presidente Lula não hesitou em exonerar imediatamente o Diretor-Geral e toda a cúpula da agência, tão logo tomou conhecimento dos fatos; quando no caso do “mensalão” e em todas as graves crises dos seus dois mandatos, o presidente Lula sequer afastou qualquer de seus principais assessores. O real motivo dessa atitude inédita de Lula está no fato de que se há controvérsia sobre a sua eventual omissão a respeito do “mensalão”; quanto aos crimes praticados pela ABIN na “Satiagraha”, é indubitável que o presidente da república foi completamente traído por sua principal agência de inteligência. Assim, como Lula conhece sobejamente a história política nacional, ele sabe que presidentes podem sobreviver a “mensalões”; mas não à “monstruosidade” de seus próprios serviços secretos.
Não por acaso, o General Golbery do Couto e Silva, um dos principais idealizadores do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1964, eternizou suas célebres palavras de arrependimento ao declarar posteriormente a respeito daquele serviço de informações: “Não imaginei que havia criado um monstro”. Todavia, como o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) não se afastou dos erros passados reencarnou no Brasil o fantasma do antigo SNI, instituindo no país a ABIN, pela Lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN). Destarte, com pouco mais de uma década de existência, a história da ABIN se caracteriza por sua escandalosa ineficiência e por uma sucessão de escândalos e obscuras crises institucionais que conduziram a degenerescente inteligência nacional à UTI, em estado gravíssimo, devido ao desvirtuamento criminoso dos seus serviços secretos. No epicentro desse estado de caos está a ABIN que, possuidora de amplos poderes, permanece uma “caixa preta” inexpugnável, completamente fora de controle, cujos crimes contra o estado vão muito além das suas ilicitudes cometidas na Operação “Satiagraha”.
Portanto, o “mensalão” e a “Satiagraha” possuem semelhanças congêneres. Nesse sentido, ambos não foram desvelados pela eficiência institucional do estado brasileiro, mas sim por mero acaso do destino; e seus crimes foram perpetrados por poderosas organizações criminosas nacionais, infiltradas visceralmente nos mais elevados e sensíveis escalões governamentais, contra o próprio estado constitucional. Mas, há uma diferença fundamental entre eles. Porque se no “mensalão” nossos governantes tiveram coragem e força para vencerem os inimigos do estado brasileiro, na “Satiagraha” continuam reféns da “monstruosidade” dos serviços secretos nacionais.